Câncer de pulmão mata 5 milhões por ano


Vítor OgawaReportagem Local
Vítor OgawaReportagem Local
Câncer de pulmão mata 5 milhões por ano



São Paulo - O câncer de pulmão é o mais letal do mundo. Segundo a médica do Inca (Instituto Nacional do Câncer), Sandra Marques, por ano são mais de cinco milhões de mortes no mundo. A DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) é a relacionada ao tabagismo que mais gerou gastos aos sistemas público e privado de saúde no Brasil em 2015: R$ 16 bilhões. Doenças cardíacas vêm em segundo, com custo de R$ 10,3 bilhões. Em 2015, o estudo apontou a morte, no Brasil, de 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco, o que representa 12,6% dos óbitos de pessoas com mais de 35 anos. Do total, 35 mil foram por doenças cardíacas e 31 mil por DPOC.

"O Brasil tem um prejuízo anual de R$56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura. O dinheiro arrecadado com os impostos sobre o cigarro são insuficientes para custear o prejuízo causado pelo tabagismo", destacou Marques, que é coordenadora do Programa Estadual de Controle de Tabagismo de São Paulo. Ela foi uma das participantes do Fórum Temático de Câncer de Pulmão, realizado em novembro, em São Paulo, organizado pelo Instituto Oncoguia.

NOVIDADES
Segundo a fundadora, presidente e diretora executiva do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, de cada dez pacientes com câncer no pulmão apenas um se salva. "A cada 30 segundos, em algum lugar do mundo, morre um paciente com câncer no pulmão. Isso assusta muito. É um cenário complexo, grave e merece nossa atenção", alerta. "Mas o combate ao câncer de pulmão começa a ter novidades. Há um cenário novo no diagnóstico e no tratamento. É o mundo falando de uma nova era com a imunoterapia e o rastreamento de grupos de risco", acrescentou.

Até um tempo atrás, o câncer de pulmão era dividido em de pequenas células e de não pequenas células. Pouco se falava da importância em se diferenciar os subtipos de não pequenas células. Com o passar dos anos esse conceito foi se modificando e a subclassificação do câncer de pulmão de pequenas células tornou-se necessária, pois o tratamento pode variar de acordo com o subtipo do tumor. Pacientes com alterações moleculares em alguns genes podem ser tratados com drogas bastante específicas com altas chances de sucesso.

Há também pesquisas relacionadas aos anticorpos. Direcionando bloqueios a algumas vias específicas que regulam a imunidade foi possível obter uma resposta imunológica do organismo contra o tumor.

Mesmo com possibilidades de sucesso nesse combate, por falta de informação, muita gente deixa de procurar um médico nos estágios iniciais da doença, o que dificulta o tratamento. Holtz ressalta que um dos motivos disso acontecer é que a doença está relacionada ao tabagismo, e os pacientes temem ser criticados por um problema que eles causaram.

NOCIVAS
Ao todo, são 5.315 substâncias (cerca de 4,7 mil nocivas) na fumaça do cigarro. O número pode chegar a 8.622 se também forem considerados os compostos presentes na folha do tabaco e os aditivos industriais. Existem pesquisas na área de redução de danos que tentam minimizar os impactos provocados pelo cigarro.

"A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda política de redução de danos nas condições em que não pode eliminar completamente a doença", explica o médico Denizar Vianna, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

"O Brasil evoluiu muito na política antitabaco. Saímos dos anos 80 com 30% de prevalência de fumantes e hoje temos 11% a 12%, uma das mais exitosas no mundo. Mas chegamos a um platô em que temos que oferecer uma alternativa, porque há indivíduos que mesmo sabendo dos riscos não querem saber de abandonar o cigarro. Ou há aqueles que não param porque não conseguem", ressaltou o médico.

Questionado sobre essa alternativa, ele citou oferecer produtos que liberem a nicotina, mas que não causem os mesmos danos que o cigarro. "O fumante fuma pela nicotina, que é o aditivo que dá o prazer, que causa o vício, mas o que leva ele ao câncer é a combustão das outras substâncias que estão no cigarro. Com a combustão do cigarro são liberados o alcatrão e nitrosaminas, que são as substâncias cancerígenas. Existem produtos como o cigarro eletrônico, que em vez de ter combustão, aquecem a nicotina e liberam como vapor. No Reino Unido foi aprovada e recomendada a migração para o cigarro eletrônico. Nos Estados Unidos estão aguardando a liberação", destacou.

O cigarro eletrônico não é liberado no Brasil. "O cigarro eletrônico oferece menor risco que o cigarro. É preciso ressaltar que temos dados de curto prazo, mas não temos dados de longo prazo", apontou Vianna. Sandra Marques, do Inca, discordou do colega e disse que não convém introduzir mais um elemento que pode servir de entrada para o vício.

O repórter viajou a convite do Instituto Oncoguia


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