Câncer de próstata é o segundo em incidência e mortalidade
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
O segundo câncer mais comum entre os homens assusta porque atinge um em cada seis pacientes. Em 2012, cerca de 47 mil brasileiros foram diagnosticados com câncer de próstata, e esta doença é a segunda causa de morte por câncer entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pulmão. Para este ano, a estimativa de novos casos da doença é maior do que a de câncer de mama. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que em 2013 devem ser registrados mais de 60 mil brasileiros com câncer de próstata, contra 55 mil mulheres com câncer de mama. A boa notícia é que a doença tem grandes chances de cura se for diagnosticada precocemente (leia mais nesta página).
Mais comum a partir dos 50 anos, esta doença representa 21% do total de casos de câncer no sexo masculino. Duas vezes mais frequente em negros do que em brancos, a incidência da doença aumenta progressivamente com a idade do paciente. O médico urologista Roberto Ortiz explica que quando aparece em pessoas mais jovens (próximo dos 50 anos), geralmente o tumor de próstata é mais agressivo.
A origem do enfermidade não é definida, mas a incidência é maior em pessoas que já possuem histórico da doença na família, sugerindo a existência de um eventual fator genético relacionado ao aparecimento deste tumor.
Uma vez diagnosticada a doença, o médico afirma que é difícil definir o prognóstico do paciente. "Há casos que o tumor tem uma evolução lenta mas há situações de rápida disseminação. É imprevisível porque não são todos iguais", detalha. A falta de sintomas faz com que muitos homens não procurem o médico, mas Ortiz salienta que os tumores de próstata só produzem manifestações clínicas quando a doença já está relativamente avançada. Os sintomas que podem indicar a presença de um câncer de próstata são dificuldade para urinar e sangramento na urina. "Nas fases iniciais, o tumor só pode ser identificado por meio de exames clínicos de rotina, o que justifica a realização do toque retal anualmente em homens com mais de 50 anos", destaca o urologista.
Neste Novembro Azul, mês mundial de combate ao câncer de próstata, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) divulgou uma mudança na idade do primeiro exame preventivo para câncer de próstata. Se antes, a orientação era de que os homens procurassem o médico aos 45 anos, agora aqueles que não têm histórico familiar são orientados a fazer o primeiro exame preventivo a partir dos 50 anos. De acordo com o presidente da SBU, Aguinaldo Nardi, a mudança na idade de início dos exames é reflexo do aumento da longevidade da população. A alteração dos padrões atinge também os homens do grupo de risco, aqueles com histórico familiar de câncer, negros e obesos devem procurar um especialista para exames a partir dos 45 anos e não mais aos 40.
O tratamento é feito com radioterapia, terapia endócrina (retirada da testosterona do organismo), quimioterapia e prostatectomia radical (retirada total da próstata, que atualmente é feita por videolaparoscopia). "São tratamentos agressivos, mas a indicação dos métodos que serão empregados dependem das caraterísticas do paciente", salienta. O estilo de vida do paciente, idade, questão racial, estágio do tumor, grau histológico da diferenciação celular e o volume do tumor são fatores levados em conta na hora de analisar o caso e definir o tratamento.
Ele explica que a cirurgia é mais indicada para pacientes jovens do que idosos porque quanto menor a idade maior as chances de bons resultados. O médico destaca que a cirurgia pode trazer efeitos colaterais como a desfunção erétil (identificada entre 30% e 50% dos casos) e a incontinência urinária, que ocorre entre 3% e 5% dos pacientes que passam pelo procedimento.
Nem todos os problemas na próstata são câncer. Cerca de 50% dos homens com mais de 50 anos apresentam um aumento natural da glândula. Chamada de hiperplasia da próstata, a doença é considerada benigna porque não é invasiva, se desenvolve de forma lenta e não apresenta riscos para o paciente. "A maior parte dos pacientes trata apenas com medicamento e apresenta um bom resultado, mas dependendo da repercussão da doença na qualidade de vida do homem, nós podemos indicar o tratamento cirúrgico", orienta. O médico acrescenta que uma das maiores reclamações dos pacientes que apresentam hiperplasia prostática é o aumento da frequência urinária.

