O câncer de pele é o que mais acomete os brasileiros, representando um a cada quatro casos da doença diagnosticados no Brasil. Ainda assim, faltam políticas públicas que informem e incentivem hábitos preventivos entre a população. Esta é a visão do dermatologista Rubens Pontello Júnior, organizador da campanha de prevenção ao câncer de pele realizada no último sábado, no Hospital das Clínicas (HC).
O mutirão antecipa a celebração do Dezembro Laranja, campanha nacional realizada há 15 anos para prevenção e diagnóstico do câncer de pele. No sábado, foram atendidos 398 pessoas, sendo que 43 foram diagnosticadas como casos suspeitos da doença por uma equipe composta por 25 médicos, residentes e internos. Os pacientes que têm pouco ou nenhum acesso a especialistas foram o foco da ação social.
Pontello afirma que, apesar da alta incidência de câncer de pele entre os brasileiros, 95% têm alta possibilidade de cura, desde que haja diagnóstico precoce. Ele orienta cuidados com pintas e manchas que se alterem em tamanho ou coloração e com feridas que não se cicatrizam em quatro semanas.
Porém, para o dermatologista, o mais importante é a prevenção, já que os tumores são provocados pela ação dos raios ultravioleta na pele e as medidas para reduzir e evitar os efeitos nocivos são simples: a utilização diária de protetor solar, uso de bonés e chapéus de abas largas e evitar exposição solar entre as 10h e 14h.
Particularmente em Londrina, a incidência de raios ultravioleta são maiores, devido à altitude. Além disso, a alta concentração de descendentes de europeus, que têm a pele mais sensível ao sol, associado ao envelhecimento da população, aumentam a possibilidade de diagnósticos.
Os cuidados com a pele têm de ser constantes e iniciar ainda na infância, com aplicação de protetor solar a partir dos seis meses de vida. "O sol tem um efeito cumulativo e cerca de 80% da radiação chega à nossa pele até os 18 anos de idade", afirma.
O protetor deve ser o de fator 30, com aplicação a cada quatro horas para quem não ficar direto exposto ao sol e a cada duas horas em permanência contínua, como em praias e piscinas.
Segundo o dermatologista, o brasileiro não tem o hábito de se precaver. "A aplicação de protetor deveria ser como escovar os dentes", afirma. Porém, não há políticas públicas para conscientizar a população ou mesmo medidas de incentivo.
O protetor solar, por exemplo, é classificado pelo governo como cosmético para a pele, sobre o qual incide mais impostos que medicamentos. "Deveria ser distribuído na rede pública", avalia o profissional. A campanha de diagnóstico e prevenção também é uma iniciativa da sociedade e não dos governos – e seria muito melhor prevenir do que promover mutirões para diagnosticar, frisa Pontello.
O aposentado Lauro Lopes, de 72 anos, procurou o HC sábado porque percebeu o surgimento de manchas na pele há pouco tempo no seu braço esquerdo, que ficava exposto na janela do carro quando era representante comercial. Foram 20 anos na função e nenhuma aplicação de protetor solar até hoje. Ele admite que é falta de costume. "Só uso quando vou à praia", afirma.
No mutirão, foi atendido pela residente do terceiro ano de Dermatologia Francine Milenkovich Belinetti. Saiu aliviado, sem o diagnóstico da doença. E promete, a partir de agora, adotar o protetor solar como parte da rotina.

mockup