Câncer de língua acomete mais homens
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domingo, 01 de março de 2015
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
O anúncio do cantor Bruce Dickinson, vocalista da banda Iron Maiden, sobre a descoberta de um câncer na língua serviu como um alerta para toda a população. Figura popular entre os fãs de heavy metal, o astro inglês passou por sessões de radioterapia e quimioterapia e, hoje, em recuperação, o prognóstico é positivo.
Esse bom resultado se deve ao fato de Dickinson ter descoberto o tumor na fase inicial, pois assim como as demais neoplasias, as chances de cura podem chegar a 100%. O oncologista clínico Luiz Abelmo Lodi, da Oncomed em Belo Horizonte, explica que o câncer de língua é agrupado nos tumores da cavidade oral, ou seja, de boca.
"Ele é o mais comum em homens a partir dos 30 anos e ocupa o quinto lugar entre os tipos de câncer mais prevalentes no sexo masculino. Somando homens e mulheres, são cerca de 14 mil novos casos por ano", afirma.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que, em 2009, mais de seis mil pessoas morreram em decorrência da doença no Brasil. Número que, segundo o instituto, poderia ser significativamente reduzido caso as pessoas visitassem regularmente os consultórios odontológicos ou fizessem exames de rotina com médicos.
Um fato importante é que esse tipo de tumor costuma ser de fácil suspeita. Segundo Lodi, o próprio indivíduo deve ficar atento a qualquer alteração na boca, principalmente uma pequena elevação na língua, uma ferida como afta ou lesão ulcerada que não cicatriza. Além disso, em muitos casos pode haver dor localizada persistente.
Os tumores que atingem a região da boca e garganta têm como causa dois pontos comum: o cigarro e a bebida alcoólica. "Cerca de 90% dos casos estão associados ao uso do cigarro e álcool, seja conjuntamente ou isoladamente", comenta o especialista, ao acrescentar que a doença também pode surgir de traumatismos crônicos da boca.
"Por exemplo uma prótese dentária mal adaptada que vai traumatizando um nervo local cronicamente. Aquilo acaba provocando alterações celulares que pode evoluir para um tumor", completa. A higiene bucal também deve ser considerada.
O diagnóstico é confirmado através de biópsia e os tratamentos vão desde sessões de radioterapia e quimioterapia à cirurgia. Dependendo da necessidade de intervenção, pode haver sequelas e demandar, posteriormente, um tratamento multidisciplinar, como, por exemplo, a fonoaudiologia.
O oncologista Luiz Wanderlei Romaniszen, que atua no Hospital do Câncer de Londrina, explica que o mais comum é o tratamento cirúrgico, já as outras modalidades costumam ser indicadas para tumores mais avançados.
"A cirurgia consiste na retirada do segmento doente e a técnica vai variar de acordo com o tamanho da lesão. Se for pequena, o procedimento não vai ocasionar perda do paladar. Isso só ocorre quando é feita a radioterapia", explica.
Em relação ao aspecto funcional da língua, como o auxílio na deglutição alimentar, Romaniszen diz que também vai depender do grau de comprometimento da língua pelo tumor. "Em casos mais graves, pode ser até necessária a retirada completa da língua", conclui.

