Campanha discute infecção hospitalar
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domingo, 24 de abril de 2016
Reportagem Local 
"Londrina tem superbactérias consideradas intratáveis." A fala é da consultora da Unimed e coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Universitário (HU), a médica infectologista Cláudia Carrilho. Segundo ela, as "superbactérias" começaram a surgir em Londrina no ano de 2009 e de lá para cá a situação tem se tornado cada vez mais preocupante.
A médica explica que as "superbactérias" são, na verdade, tipos de bactérias que produzem uma enzima que confere resistência a uma classe de antibióticos considerada de última geração. O problema hoje está fora de controle. Cláudia afirma que todos os serviços hospitalares, em especial os de alta complexidade, estão contaminados. "A superlotação, falta de isolamento de pacientes infectados e a baixa adesão dos médicos aos procedimentos de higienização das mãos acabam piorando ainda mais o quadro", aponta.
Com o crescimento dos níveis de infecção hospitalar causados por "superbactérias", passou-se a utilizar um tipo específico de antibiótico em larga escala. "Mas hoje já temos taxas de até 40% de resistência a este tipo de droga o que nos leva a identificar pacientes com infecções bacterianas intratáveis", destaca. Conforme a médica, este é um problema de saúde pública que envolve regras claras e o uso racional de antimicrobianos.
CONSCIENTIZAÇÃO
O médico e gestor de Regulação em Saúde da Unimed Londrina, Ivan Pozzi, explica que a situação se agrava uma vez que a indústria farmacêutica tem priorizado o desenvolvimento de outras drogas e lançado pouquíssimos novos antibióticos nos últimos anos. Diante deste cenário, a Unimed Londrina está realizando novamente uma campanha com a temática "antibioticoterapia". Voltada para profissionais de saúde e com o foco "Consciência contra a resistência", a campanha consiste no reforço às medidas de prevenção, relançamento do Manual de Antibioticoterapia e realização de nove palestras sobre o tema, sendo uma por mês até dezembro.
Conforme o médico, a primeira edição do manual foi lançada em 2005, o material foi atualizado em 2011 e está passando novamente por atualização neste ano. O principal objetivo do manual é nortear a decisão de médicos na hora de fazer a escolha do antibiótico adequado frente a um quadro de infecção. "Este tipo de princípio se baseia em quatro pilares: indicação correta, dose adequada, menor tempo possível (de tratamento) e o de-escalonamento, que consiste na retirada dos antibióticos considerados inadequados após a identificação da bactéria que está causando a infecção", aponta. A série de palestras, que complementa a campanha, vai tratar diversos assuntos relacionados ao tema e trazer à tona a discussão sobre a utilização adequada dos antibióticos.
SERVIÇO
As palestras são voltadas a profissionais de saúde e começam nesta semana, dia 27, às 8 horas, na sede da Unimed (Av. Ayton Senna, 1.065). Mais informações pelo telefone (43)3375-6161.

