Campanha alerta sobre tipo grave de alergia
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domingo, 06 de abril de 2014
Michelle Aligleri<br> Reportagem Local 
Anafilaxia. Este é o tema de uma campanha que começa hoje, organizada pela World Allergy Organization (WAO) e no Brasil pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). O objetivo das entidades é chamar atenção para este tipo gravíssimo de alergia, que atinge aproximadamente 2% da população mundial. Calcula-se que um em cada 200 atendimentos nos serviços de emergência sejam para tratamento de reações alérgicas graves.
A médica alergista e imunologista Ana Paula Juliani explica que a anafilaxia é uma reação alérgica exagerada do organismo, progressiva e potencialmente fatal. Ela pode causar a morte por sufocamento por conta do edema de glote ou pelo broncoespasmo (fechamento dos brônquios). "Outra complicação que pode aparecer é um choque cardiogênico. A queda da pressão provoca uma irrigação inadequada dos órgãos, inclusive coração, e pode levar a uma parada cardíaca", explica a médica.
A anafilaxia pode ser desencadeada por picadas de alguns insetos, contato com alimentos, medicamentos, ou substâncias alérgenas como o látex. Por conta da gravidade da situação, a campanha alerta sobre a necessidade dos rótulos dos alimentos trazerem informações mais objetivas e detalhadas dos ingredientes, composição e processo de fabricação de cada produto que está nas prateleiras.
Algumas pesquisas recentes apontam que nos últimos dez anos aumentou em sete vezes o número de atendimentos de pessoas com reações alérgicas graves nos hospitais no mundo. "Isso tem ocorrido, principalmente, pelo aumento de anafilaxia por alimentos. Já foram descritos mais de 120 tipos diferentes de alimentos capazes de provocar anafilaxia e a lista não para de crescer", alerta o presidente da Asbai, Fábio Morato Castro. Para os indivíduos que apresentam alergia grave, o consumo de qualquer alimento com uma pequena quantidade dos produtos alérgenos em questão é suficiente para provocar uma reação que pode levá-los à morte. "Por isso a rotulagem adequada é tão importante", justifica a médica.
A campanha, que segue até o próximo dia 13, também destaca a importância dos pacientes que apresentam este tipo de reação terem sempre consigo uma ampola de adrenalina injetável, que pode salvar a vida do indivíduo num momento de crise. "A demora no reconhecimento de uma crise e na injeção de adrenalina pode trazer complicações graves", salienta Ana Paula Juliani. A Asbai e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão em fase de negociação para a padronização e futura aprovação de uma espécie de caneta com adrenalina injetável. Enquanto isso não acontece, muitos pacientes carregam sempre uma seringa com uma dose de adrenalina para casos de emergência.
A dificuldade, conforme o médico alergista e imunologista Herberto José Chong Neto, se dá na hora do paciente ter acesso à adrenalina, já que esta droga não é mais comercializada pelas farmácias. "Eu costumo deixar uma receita com o paciente prescrevendo o uso de adrenalina se necessário", destaca ele. Diante da suspeita de um caso de anafilaxia, o indivíduo deve ser levado imediatamente ao pronto-socorro mais próximo. "Quanto mais rápido for o aparecimento dos sintomas, mais grave é a anafilaxia", alerta Chong Neto.

