Imagem ilustrativa da imagem Bronquiolite atinge bebês menos de dois anos
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Rio - A bronquiolite, inflamação dos bronquíolos (parte final dos brônquios), atinge principalmente os bebês menores de dois anos e é mais comum no inverno. Nos primeiros anos de vida, o sistema imunológico ainda é imaturo, o que torna as crianças mais suscetíveis ao VSR (vírus sincicial respiratório), o principal causador da doença. Além dele, o adenovírus, o parainfluenza, o vírus influenza, o rinovírus, o bocavírus e o metapneumovírus também são transmissores. A principal forma de contaminação é por meio de secreções respiratórias e por contato, ou seja, crianças que passam o dia em locais fechados com outras pessoas, como creches, estão mais propensas à infecção. As informações são do IFF/Fiocruz.

Os sintomas iniciais são bem parecidos com os do resfriado: tosse, obstrução nasal, coriza e às vezes chiado no peito. “Os sinais e sintomas da bronquiolite se assemelham a uma crise de asma ou bronquite e duram aproximadamente de 3 a 15 dias. Dificuldade para respirar e falta de ar indicam gravidade”, alerta o pediatra infectologista do IFF/Fiocruz (Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira) Márcio Nehab.

Não existe tratamento para a causa da bronquiolite, é possível realizar apenas tratamentos sintomáticos. “A grande maioria das crianças que têm um quadro de bronquiolite nem chegam à emergência e, daquelas que procuram, uma pequena quantidade precisa ser internada”, explica Nehab. Em casos mais leves, em que não há desconforto respiratório (tosse com chiado ou falta de ar), é possível cuidar da criança em casa, controlando a febre e mantendo-a sempre hidratada e alimentada.

A internação somente se faz necessária quando a criança precisa de cuidados mais específicos no hospital. “A principal indicação é a baixa oxigenação no sangue, o que a leva a precisar de tratamento com oxigênio. Além disso, há casos em que o paciente irá precisar se alimentar via sondas nasogastricas (inserção da sonda pelo nariz, descendo até o estômago) ou nasojejunais (inserção da sonda pelo nariz, descendo até o intestino) ou hidratação com soro por via venosa. Em casos mais graves, o bebê pode precisar de ventiladores mecânicos não invasivos ou invasivos para que o desconforto seja atenuado”, esclarece o pediatra infectologista.

GRUPOS DE RISCO

As crianças que integram os grupos de risco, tais como prematuros extremos, cardiopatas e pneumopatas (que têm doença pulmonar), têm mais chances de serem hospitalizadas e evoluir para a forma grave. “Para esse grupo recomenda-se o uso da vacina Palivizumabe, medicamento indicado para aumentar a proteção de bebês prematuros contra a infecção pelo VSR. O protocolo do Ministério da Saúde indica o Palivizumabe para bebês prematuros de três grupos: crianças prematuras nascidas com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas (até 28 semanas e 6 dias), com idade inferior a um ano (até 11 meses e 29 dias), crianças com idade inferior a dois anos (até um ano, 11 meses e 29 dias) com cardiopatia congênita e que permaneçam com repercussão hemodinâmica, com uso de medicamentos específicos, crianças com idade inferior a dois anos (até um ano, 11 meses e 29 dias) com doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia pulmonar) e que continuem necessitando de tratamento de suporte, tais como o uso de corticoide, diurético, broncodilatador ou suplemento de oxigênio, durante os seis últimos meses anteriores ao cadastramento”, alerta o médico.

O pediatra enfatiza que não há vacina específica para a causa viral da bronquiolite, mas existem formas de preveni-la. “A vacina da gripe pode diminuir os sintomas mais graves da doença, embora a influenza seja responsável pela minoria dos casos. Recomenda-se, também, evitar levar a criança para locais onde, sabidamente, existam crianças com doenças respiratórias, lavar sempre bem as mãos, que é um cuidado fundamental para evitar diversas doenças, e o principal: ficar atento ao surgimento dos sintomas e buscar um médico o quanto antes”, detalha.

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