Bons hábitos à mesa começam cedo
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domingo, 17 de julho de 2011
Maigue Gueths <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Alimentar o bebê exclusivamente com leite materno até os 6 meses de idade e, a partir daí, até os 2 anos, incrementando com alimentos variados e saudáveis, de preferência sem sal e açúcar. Essa receita simples, usada desde os tempos dos nossos avós, é o melhor ''remédio'' defendido por médicos pediatras para acostumar as crianças com o sabor de uma alimentação balanceada e, com isso, evitar que se tornem adultos obesos no futuro.
''É importante diversificar. Se a criança começar a conhecer os alimentos nessa idade, vai acostumar com os sabores e será mais fácil continuar gostando depois'', explica a pediatra Virgínia Resende S. Weffort, professora de Pediatria da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e residente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.
De acordo com a médica, que foi uma das palestrantes do 68º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria, realizado recentemente em Curitiba, os hábitos da boa alimentação começam, na verdade, quando o bebê ainda está na barriga da mãe. ''Se a mãe está comendo errado, vai passar isso para o bebê no intraútero'', diz. O bebê cuja mãe costuma se alimentar com excesso de sal, por exemplo, vai ter seu rim programado para trabalhar mais e, com isso, pode ter pressão alta quando nascer.
Hábitos
A dieta saudável da mãe também é importante durante a amamentação, uma vez que o leite vai mudar, inclusive, de gosto, dependendo do que ela come. Mas a formação dos hábitos alimentares tem sua fase mais importante nos primeiros anos da criança. ''Vejo muita mãe dando comida errada a seus filhos, aliás, o mais comum é a alimentação errada. Elas precisam saber que a criança aprende a comer no pré-escolar'', lembra Virgínia, ressaltando que os pequenos podem comer brigadeiro ou tomar refrigerante. ''Mas só de vez em quando, em uma festinha de aviversário, por exemplo, sem fazer disso um hábito rotineiro'', completa.
Os bons hábitos alimentares, segundo o pediatra João Serafim Filho, de Goiânia, também ajudam a prevenir doenças crônicas posteriores. ''A criança acostumada a comidas sem excesso de sal, sem gorduras e açúcares, ficará menos propensa a desenvolver doenças como a hipertensão e o diabetes'', afirma.
Temperos
A comida do bebê pode levar tempero - cebola, salsinha, alho - e depois de pronta receber um pouco de óleo por cima. Porém, não se deve refogar nem usar sal. O alimento deve ser preparado assado ou cozido, nunca frito. Para dar o ponto de papinha, 30 ml de água é o suficiente. A comida deve ser amassada com garfo e não passada na peneira ou batida no liquidificador.
''É importante que a criança vá acostumando com resíduos na boca. Assim, depois ela vai aceitar bem comer grãos de arroz, de feijão'', ensina Serafim. Ele explica, ainda, que conforme a mastigação vai melhorando, a comida deve agregar mais pedacinhos de alimentos. A partir de um ano, a criança pode comer normalmente a mesma alimentação da família.
''É bom que a criança sente à mesa, deixe a comida cair no chão. Tudo faz parte do aprendizado, além de fortalecer o convívio familiar'', explica o pediatra. Outras dicas importantes são: dar preferência à fruta inteira ao invés de sucos, pois tem fibras e menor quantidade de açúcar. Até um ano de idade, deve-se dar no máximo 100 ml de suco por dia. E não oferecer líquido junto com a comida.

