Bom sono, um santo remédio
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de março de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem local 
Com tantas tarefas para serem cumpridas durante o dia e o acesso cada vez mais fácil aos serviços 24 horas oferecidos nas médias e grandes cidades, o horário de sono pode ser visto muitas vezes como perda de tempo. Especialistas alertam, no entanto, que negligenciar o sono é prejudicial à saúde física e mental, podendo ainda comprometer relações pessoais e profissionais. Estudos mostram que dormir pouco é tão prejudicial à saúde quanto dormir mal.
Segundo a coordenadora do Departamento Científico de Sono da Academia Brasileira de Neurologia, a médica neurologista Rosana Cardoso Alves, a privação do sono a longo prazo pode estar associada à alteração na memória, falta de atenção e mau humor. Pode, inclusive, influenciar o desenvolvimento de um quadro depressivo desde que se tenha predisposição a este tipo de alteração psiquiátrica.
A alteração do ritmo sono/vigília também é prejudicial ao bom funcionamento do organismo. "Durante a noite nosso organismo libera uma série de hormônios que são importantes. Quando trocamos o dia pela noite podemos alterar este fator e pesquisas apontam que esta mudança hormonal favorece a obesidade", afirma. Segundo Rosana, a pessoa que trabalha no horário noturno durante um determinado período e depois volta ao expediente diurno tem grandes chances de apresentar insônia. A médica aponta que a falta de rotina é prejudicial e diz que o ideal é estipular e respeitar horários para dormir e acordar.
Quem levanta cansado e irritado pela manhã, com dores de cabeça logo cedo, apresenta memória fraca, pouca concentração e muito sono durante o dia, tem grandes chances de apresentar um distúrbio do sono. Especialistas afirmam que a maioria das pessoas precisam de oito horas de sono por noite para descansar a mente e se sentir dispostas no dia seguinte. "Alguns indivíduos, porém, se sentem bem com seis horas de sono e outros precisam de nove. Este tempo de descanso varia de uma pessoa para outra e deveria ser respeitado", afirma a neurologista.
Epidemia de insônia
Rosana Alves chama atenção para o grande número de pessoas que buscam os consultórios com queixa de insônia - dificuldade de iniciar ou manter a sonolência. "Os maus hábitos são responsáveis por uma parte da insônia, mas a ansiedade, a depressão e o estresse também são fatores relevantes neste cenário", alerta. Ela acrescenta que nem sempre é fácil para o paciente identificar se a insônia o levou à depressão ou se a depressão o levou à insônia e o mesmo acontece com as pessoas ansiosas. "Por isso o acompanhamento médico e, e em alguns casos, o tratamento medicamentoso são importantes."
O estresse provocado pelo trabalho, questões familiares e a própria rotina corrida podem ser fatores importantes no desencadeamento das noites em claro. A neurologista orienta que na hora de dormir as pessoas criem um ambiente propício (leia mais na página 14) e o primeiro passo é desligar o celular e não utilizá-lo durante a madrugada.
Embora alguns indivíduos tenham características matutinas e outros se sintam melhores no período vespertino, Rosana salienta que a noite foi feita para dormir. "Estas são características individuais, que em algumas idades se tornam mais evidentes. Os adolescentes, por exemplo, tendem a dormir e acordar mais tarde e os idosos costumam dormir e acordar bem cedo", destaca. Quando esta alteração é pequena e as horas de sono são suficientes e reparadoras, a médica afirma que não há problema.

