BIOENGENHARIA - Dentistas usam impressão 3D em reconstrução facial
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domingo, 23 de agosto de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Apaixonado por futebol, o servidor público Aldecir dos Santos Costa, de 49 anos, nunca imaginou que seria uma das primeiras pessoas a passar por uma cirurgia de reconstrução facial com uso de impressora 3D em Londrina. A jornada até o procedimento que o deixaria novamente satisfeito com sua aparência ocorreu dez anos depois de um acidente num jogo de futebol entre amigos. De uma pancada recebida no rosto, quando o zagueiro tentou cabecear a bola para longe do gol, surgiu um tumor no osso. Uma parte da mandíbula direita precisou ser removida, dando lugar a uma prótese de titânio.
Se o resumo da história parece simples, a jornada de Costa, morador de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), até receber o implante não foi nada óbvia. O tumor na mandíbula do paciente, aos poucos, criou uma diferença de altura entre os lados do rosto dele. O queixo foi empurrado para o lado esquerdo. Enquanto o lado que levou a pancada contava com 66 mm de altura, o outro apresentava 88 mm. Eram mais de 2 centímetros de diferença de um lado para o outro da face. Costa chegou a ser desacreditado por profissionais de saúde e a pensar que não conseguiria resolver o problema.
"Ele chegou ao nosso consultório sete anos depois do acidente. Tinha uma assimetria facial que conseguimos visualizar bem pelos exames. Vimos que o tumor estava crescendo e que aquela parte precisaria ser retirada", relata o dentista Marcos Guskuma, um dos cirurgiões bucomaxilofaciais responsáveis pela cirurgia do servidor público. Também fizeram parte desta equipe os dentistas Daniel Gaziri, José Augusto Camargo e Eduardo Hochuli Vieira. O procedimento, realizado no Hospital Araucária, teve seis horas de duração.
Antes da intervenção foram necessários dois anos de preparação até a impressão em 3D da prótese de titânio para Costa, nos Estados Unidos. O paciente usou aparelho ortodôntico para corrigir a arcada dentária inferior cuja posição foi alterada pela assimetria do rosto. Também foi preciso produzir uma nova dentadura para ele na parte superior, que usava uma feita de acordo com a posição dos dentes de baixo. "A nova dentadura serviu como nosso guia para voltar a face no lugar certo. Foi preciso colocar alguns ganchos de aparelho na prótese, que fizemos de sulfato de bário, para que ela aparecesse também nas radiografias", relata Guskuma.
O terceiro passo da equipe foi encaminhar para os Estados Unidos uma tomografia do rosto do paciente. A TMJ Concepts, empresa sediada na Califórnia e especializada em fabricar próteses sob medida, usou os dados do exame para produzir um biomolde. "Nos mandaram uma impressão em 3D, em resina, da face. Primeiro, fizemos a cirurgia neste molde e encaminhamos de volta para os EUA. Lá, eles fizeram o planejamento da prótese de titânio", explica o dentista.
Feita a arquitetura da placa em cera, o implante foi simulado no biomolde e enviado para o Brasil pela empresa. Depois que o material foi aprovado pela equipe, foi feita a impressão em 3D, em tamanho real, da prótese de titânio. No caso de Costa, a placa teve 8 centímetros de comprimento. O encaixe, segundo Guskuma, foi perfeito, bem diferente de quando se trabalha com próteses pré-fabricadas. "A precisão é muito grande. Podemos dizer que é a melhor técnica que temos na área", defende o profissional.

