Banco de ossos - Transparência da captação ao enxerto
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domingo, 08 de setembro de 2013
Michelle Aligleri<br> Reportagem Local 
As normas de utilização de tecidos ósseos do Ministério da Saúde devem ser rigorosamente seguidas pelos seis bancos de ossos e tecidos existentes no País. A coordenadora do Banco de Tecido Músculo-Esquelético (Unioss) da Universidade de Marília, Karla Bachega, explica que os ossos e tecidos são retirados de pacientes que apresentam morte encefálica e são doadores. "Existe uma equipe credenciada e treinada que vai até o hospital e faz a captação do material", aponta. Após a coleta, o osso é transportado dentro de caixas adequadas e climatizadas e quando chega no banco passa por exames para detectar a presença de micro-organismos que podem ser nocivos ao receptor. O tecido então é colocado em freezer com temperatura de 80 graus negativos.
De acordo com Karla, o material fica entre 40 e 60 dias neste congelador, aguardando os resultados de exames, que podem indicar o seu descarte ou não. "Se tudo estiver certo com o tecido, após este período, ele é encaminhado para uma sala de processamento específico, e depois da realização de alguns procedimentos é colocado em uma embalagem tripla, definida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e segue para outro freezer que também tem temperatura de 80 graus negativos", detalha a coordenadora. Segundo ela, depois deste procedimento, o material fica pelo menos mais 40 dias congelado e tem um prazo de cinco anos para ser utilizado, após este prazo, ele é inutilizado por incineração.
Todos os passos que envolvem a captação, transporte e manipulação de tecidos ósseos devem ser realizados dentro dos protocolos estipulados pela Anvisa. Apenas dentistas e médicos com especialidades em determinadas áreas podem ser cadastrados no sistema, e solicitar o envio destes materiais. Os pedidos são monitorados e o bloco de osso que é encaminhado ao profissional apresenta uma etiqueta de identificação.
O paciente que será beneficiado paga um valor referente ao custo de processamento realizado pelo banco de ossos. "Funciona da mesma forma que o sangue. Para todo este trâmite existe um custo que é fixado pelo Ministério da Saúde", destaca.
O material é enviado pelos Correios ao profissional dentro de caixas climatizadas, e deve ser utilizado dentro de 24 horas. "Caso ocorra algum problema na entrega, os Correios nos devolvem a encomenda e o conteúdo é incinerado", complementa Karla. Conforme ela, o paciente que é beneficiado pelo enxerto precisa assinar um documento onde está especificado o nome do banco credenciado e a identificação do material que foi enviado para o médico ou dentista. Tanto o banco de ossos quanto o profissional prestam contas dos materiais utilizados periodicamente ao Ministério da Saúde. (M.A.)

