Banco de ossos - Paciente deve exigir procedência de tecido ósseo
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domingo, 08 de setembro de 2013
Michelle Aligleri<br> Reportagem Local 
O fechamento de um banco de ossos clandestino na semana passada em Londrina despertou a curiosidade da população sobre a utilização deste material na odontologia e na ortopedia. Os enxertos ósseos podem ser necessários em várias situações de saúde para reforçar o osso do paciente e possibilitar que procedimentos cirúrgicos sejam realizados.
De acordo com o dentista implantodontista e professor da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Rodrigho Pelisson Guergolette, o material utilizado no enxerto ósseo pode ser retirado do próprio paciente, ser solicitado em um banco de ossos ou ainda ser sintético e, neste caso, comprado de empresas especializadas. "A maior parte dos pacientes da odontologia prefere a segunda ou a terceira opção porque a retirada do osso do próprio corpo exige procedimento cirúrgico em hospital, que é realizado por um médico ortopedista e tem risco e tempo de recuperação", explica. A preferência por material do banco de ossos também se dá pelo alto custo do osso sintético, já que ele depende de tecnologia de ponta para ser produzido.
Na odontologia, os ossos são utilizados para realizar enxertos em pacientes que precisam receber o implante dentário. O dentista cirurgião buco-maxilo-facial, Marcos Guskuma, explica que o implante dentário é como se fosse um parafuso que deve ser fixado dentro do osso. "Em alguns casos o paciente apresenta um osso muito fino, que não suporta o parafuso, então, o enxerto é utilizado para aumentar a espessura do osso para que ele sustente o implante. Se a quantidade de osso necessária for pequena, retiramos da própria boca do paciente", destaca. Há vários tipos de ossos que podem ser utilizados nos enxertos, e a escolha do dentista varia de acordo com a situação do paciente, há ossos mais ou menos porosos, que são avaliados. Guergolette acrescenta que em algumas situações, o profissional pode preferir trabalhar com osso em pó.
O médico ortopedista Arício Queiroz Tavares explica que na sua especialidade a maior parte dos pacientes que precisa fazer um enxerto opta pela retirada do osso do próprio organismo. "Geralmente precisamos fazer enxerto quando há fraturas com grandes falhas ósseas, e quando o paciente apresenta pseudoartroses, que são fraturas que precisam de um estímulo ósseo para consolidar", afirma o médico.
Tavares salienta que na maioria da vezes é retirado parte do osso da bacia para se fazer o enxerto, mas nem sempre é possível realizar este procedimento. "Quando o paciente apresenta um tumor ósseo e há necessidade de uma grande quantidade de osso para enxerto o mais indicado é buscar o material no banco de ossos. Para as pessoas de idade mais avançada que sofrem alguns tipos de fratura no colo do fêmur retiramos a cabeça do fêmur e colocamos prótese, o material retirado pode ser encaminhado para o banco de ossos", explica Tavares. Conforme ele, os ossos sintéticos são pouco utilizados na ortopedia, justamente pela facilidade de adquirir materiais naturais e pela melhor qualidade do osso humano.
Há atualmente no País seis bancos de ossos cadastrados, sendo um em Passo Fundo (RS), um no Rio de Janeiro, dois em São Paulo (Hospital das Clínicas e Santa Casa), um em Marília (SP) e um em Curitiba. Este último, no entanto, está fechado desde o final do ano passado para reforma e, de acordo com a assessoria de imprensa, não há previsão para reabertura do serviço porque, após o término das obras, o prédio deve passar por uma avaliação da Vigilância Sanitária.
De acordo com as normas do Ministério da Saúde, a solicitação de envio de tecido ósseo aos bancos só pode ser feita por médicos credenciados, assim como é necessário o registro do paciente receptor no sistema para que o controle do material seja efetivo. Guskuma enfatiza que o profissional deve mostrar ao paciente o prontuário que contém a origem do material utilizado. Segundo ele, se a pessoa fez um enxerto e não assinou nenhum documento do banco de ossos, deve verificar a procedência do material junto ao profissional.
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