Há cerca de 15 anos, problemas de fundo emocional e o estresse gerado pelo trabalho como bancária levaram Marina Bernardi Simões, de 61 anos, a ter depressão e síndrome do pânico. Ela conta que passou por vários médicos e tomou muitos medicamentos até acertar o tratamento e superar o problema. ''Quero dizer para as pessoas que estão passando por isso e não acreditam na cura que isso é possível sim'', alerta.

Marina conta que iniciou seus tratamentos em 1999 e, neste caminho, encontrou alguns profissionais que, além de não ajudarem na recuperação, ainda disseram para seus familiares que ela ficaria demente. Passou alguns períodos recebendo tratamento em uma clínica psiquiátrica, tomou remédios fortes e fez 20 sessões de eletroconvulsioterapia (eletrochoque). ''Esta terapia até apresentou algum resultado mas não foi satisfatório'', explica.

A bancária aposentada afirma que o que a tirou da depressão foi a associação de medicamentos adequados, empatia com o médico e fé. ''A gente precisa de pessoas queridas ao redor e precisa querer ficar curada. É fundamental acreditar em Deus, independentemente da religião'', comenta. Marina lembra que a medicação tomada era tão forte que ''apagou'' alguns anos da vida dela e hoje existe uma lacuna em sua memória que ela não lembra de ter vivido.

Depois de alguns anos de depressão, ela precisou ser afastada do trabalho porque ficou incapacitada para exercer a função. ''Fui a psicólogos e psiquiatras que não deram resultado, eu achei que não ia ficar curada nunca'', comenta. No ano de 2009, Marina encontrou os profissionais que a ajudaram a superar o problema e há dois anos ela está estabilizada. A bancária se considera 90% curada, tem projetos para o futuro, vontade de viver e adora leitura. Para alcançar este patamar ela destaca que a ajuda do filho e da cuidadora foram fundamentais. ''Com o fim da depressão e do pânico minha vida mudou, antes eu era como um bichinho que ficava acuado dentro de casa. Quando eu fui melhorando, percebi que eu voltei para a vida'', explica.

Conforme a cuidadora Elis Modesto Leal Canovas, até a fisionomia da Marina mudou. ''Depois desta melhora, as pessoas nos encontram no elevador e perguntam se é mesmo a Marina porque não a reconhecem de tão bem que ela está agora'', afirma. (M.A.)

mockup