Autismo: um mundo para si
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de junho de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local <br> 
Apesar de não existir um número real que aponte a frequência do autismo, especialistas afirmam que os casos não são poucos e que a falta de informação sobre a síndrome dificulta que pais e mães procurem ajuda quando há indícios de que seu filho é um autista. O diagnóstico é clínico e necessita passar por mais de um profissional. Já o tratamento deve ser multidisciplinar e demanda um grande envolvimento dos familiares.
No Brasil, os índices de incidência da síndrome têm como base pesquisas norte-americanas que dizem que a taxa estimada é de uma criança em cada 110. Especialistas afirmam que esses números ocorrem homogeneamente em todo o planeta.
O médico neuropediatra Clay Brites, explica que até a década de 1970 os casos de autismo no mundo eram de 1 para mil nascimentos. Segundo ele, com a informação e a disseminação dos estudos sobre o autismo, os profissionais estão detectando mais, refletindo nas estatísticas. ''Uma parte dos estudiosos também comenta que este aumento nos índices pode ser resultante de alguns fatores ambientais adquiridos, como alimentação, substâncias tóxicas industrializadas, venenos, veículos de vacina, etc, mas isto é apenas especulação e não há comprovação científica. Hoje, o que se tem confirmado é que o autismo é geneticamente e neurobiologicamente determinado, inclusive com influência da idade materna'', diz.
Segundo Brites, o tratamento do autismo deve ser iniciado precocemente - de preferência antes dos 5 anos de vida. Como não tem cura, a pessoa com autismo precisa passar por um tratamento para aliviar e diminuir os sintomas e a abordagem, de acordo com o médico, deve se concentrar em medicamentos, participação de fonoaudiólogo, psicoterapeuta e até a adoção de métodos de educação estruturada, além de orientação aos pais. ''Tais critérios mostram que o tratamento é difícil, custoso e cansativo, já que os pais devem levar seu filho para vários profissionais e poucos são os profissionais preparados para intervir nessas crianças'', enfatiza.
Isolamento
O autismo é um transtorno caracterizado por dificuldade de interação social, comportamentos repetitivos e deficit global da estruturação da linguagem e tais comportamentos geram extrema dificuldade no convívio social e afetivo da criança com sua família. A fonoaudióloga Aniele Galhardi explica que muita coisa pode ser feita para ajudar a pessoa com autismo, entre elas métodos aplicados por especialistas após uma boa avaliação e planejamento adequado.
''É possível melhorar sua comunicação e comportamentos. O autista não é capaz de antecipar e interpretar eventos, mas pode apresentar melhoras quando colocado em ambientes estruturados com atividades planejadas'', diz. Ainda segundo Aniele, existe também uma relação entre os sexos, por isso o autismo é mais comum em homens do que em mulheres. ''Há uma proporção de uma mulher para cada quatro homens. Geralmente apresentando um quadro mais grave entre as mulheres. É um verdadeiro desafio ter um filho com autismo e as formas estratégicas de lidar com ele exigem dedicação e múltiplas mudanças de postura pelos pais e pela escola'', finaliza.

