Aumente o ritmo da caminhada
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domingo, 03 de agosto de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Se a atividade física do seu dia a dia tem se resumido a caminhadas tranquilas, ou até mesmo, uma ida ao supermercado, vale considerar um estudo realizado pelo cardiologista Marcelo Cichocki, de Londrina, como um alerta.
"O objetivo foi identificar a influência da prática da atividade física sobre todos os fatores de risco associados às doenças cardiovasculares", contextualiza. Os resultados surgiram de uma pesquisa observacional e transversal, com dados de prontuários eletrônicos de uma clínica local de cardiologia.
Cichocki avaliou os registros de 1.004 pacientes adultos e idosos, no período de 2006 a 2012, referentes a gênero, idade, se eram ou não tabagistas, níveis de pressão arterial e nível de atividade física (baixa, moderada e alta intensidade) correspondente à ergometria (teste de esforço).
O especialista explica que a atividade física leve foi definida como tarefas simples, por exemplo, caminhadas rotineiras, lavar pratos e pescar. "A moderada foi classificada entre 3,0 e 6,0 METs, ou seja, em indivíduos que praticam algum esporte recreacional, como o futebol aos finais de semana. Como vigorosa consideramos as práticas mais intensas, como a corrida", afirma.
De acordo com esses resultados, Cichocki buscou saber que nível de atividade física teria implicação no Escore de Framingham, que serve para estimar a probabilidade de ocorrer um infarto ou uma morte por doença coronariana no período de 10 anos, em indivíduos que não têm diagnóstico prévio de aterosclerose clínica (placas de colesterol nos vasos sanguíneos).
"A intenção era saber que nível de atividade física faz com que esse risco de Escore de Framingham seja reduzido. E a pesquisa me mostrou que aqueles indivíduos que fazem (atividade) em um nível moderado a intenso e de forma regular apresentaram tal benefício", explica.
De acordo com o médico, isso ocorre porque a prática regular e vigorosa acaba modulando os riscos, pois diminui o colesterol total e os níveis de pressão, além de melhorar os níveis glicêmicos e aumentar o HDL (colesterol bom).
"A conclusão maior desse trabalho é que não basta afirmar ao paciente que se ele fizer uma caminhada leve vai ganhar saúde e aptidão cardiorrespiratória. O recomendado é praticar uma atividade física de nível moderado a intenso, como correr, andar de uma forma mais rápida e com regularidade. A prática de atividades leves não apresenta benefícios sobre o risco de um indivíduo desenvolver doenças cardiovasculares", ressalta.
Em suma, o estudo sugere que a prática de atividade física é um potencial modulador do risco de Framingham e que deve ser considerada juntamente com as variáveis idade, gênero, tabagismo, presença de hipertensão arterial e níveis séricos de colesterol total e HDL, na prática clínica.
A pesquisa é um trabalho de mestrado em Exercício Físico na Promoção da Saúde, da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Vale lembrar que qualquer atividade física, independentemente da intensidade, deve ser orientada e acompanhada por um profissional habilitado, evitando a sobrecarga desnecessária, bem como lesões por realização incorreta dos exercícios. Também é necessário ter avaliação de um médico sobre as condições de saúde antes de se iniciar a prática de atividade física.

