Atividade física em idosas acima do peso é tema de projeto
Mulheres a partir dos 60 anos podem ser voluntárias em pesquisa que investiga impactos de diferentes grupos de exercícios
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de dezembro de 2019
Mulheres a partir dos 60 anos podem ser voluntárias em pesquisa que investiga impactos de diferentes grupos de exercícios
Laís Taine - Grupo Folha 
Mais de dois terços da população brasileira com mais de 65 anos estão com sobrepeso ou obeso, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas quando se fala da mulher idosa, o número aumenta - 76% delas estão acima do peso. Com essa preocupação, um pesquisador de Londrina está convidando mulheres com esse perfil para participar de um estudo que pretende investigar os impactos de diferentes grupos de exercícios na saúde. Será um ano de pesquisas envolvendo voluntárias que terão, gratuitamente, acompanhamento de profissionais de educação física na prática de exercícios físicos duas vezes na semana.
“Durante a minha graduação e doutorado estudei musculação com o idoso, mas eu senti a falta de analisar o trabalho aeróbico. A proposta com esse projeto é acoplar musculação com o trabalho na esteira, duas modalidades no mesmo dia, e quero compreender como essa forma de treinamento vai afetar a composição corporal, se vai ganhar ou perder músculo, como fica a capacidade funcional, se isso vai facilitar ficar em pé mais rápido, caminhar mais rápido, ter mobilidade”, comenta o professor responsável Fábio Cheche Pina.
A partir de sua experiência com idosos, o pesquisador notou diferenças importantes na saúde daqueles que praticavam exercícios como rotina, independente da frequência. “Montei dois grupos, um que praticava duas vezes por semana e outro que praticava três vezes. Ambos tiveram o mesmo benefício, ficaram mais fortes, colesterol estabilizou, glicose abaixou e aumentou massa muscular, traduzindo na melhora do dia a dia, como caminhar mais rápido, por exemplo”, recorda.
Em um dos projetos foi analisada a parte funcional, percebendo que idosos que levavam cerca de três minutos para se levantarem sozinhos do chão, no fim do projeto conseguiam fazer isso na metade do tempo. “Eles ficam mais ágeis, conseguem ter mais liberdade, autonomia e criam independência física”, observa Pina, que desenvolve o projeto na Unopar.
QUATRO GRUPOS
Dessa vez, a proposta é diferente. O projeto visa analisar o impacto do treinamento em mulheres idosas com excesso de peso, dividindo-as em quatro grupos: treinamento aeróbio; treinamento com pesos; treinamento aeróbio com pesos; e o inverso do último, treinamento com pesos e aeróbio.

Para isso, serão selecionadas aproximadamente 70 mulheres com idade igual ou superior aos 60 anos, classificadas com IMC (Índice de Massa Corpórea) igual ou superior a 25 kg/m². Elas passarão por intervenção realizada em 16 semanas, com duas sessões semanais de 30 minutos cada. Antes, durante e após as intervenções, os grupos serão submetidos à avaliação da composição corporal, teste de uma repetição máxima, capacidade funcional e coletas de sangue.
A parte prática do projeto começa no início do próximo ano, mas as interessadas em participar devem manifestar interesse o quanto antes e levar atestado do cardiologista comprovando bom estado de saúde para a realização das atividades. O cadastro deve ser feito com o professor responsável, por meio do telefone: (43) 99868-1091.
INDEPENDÊNCIA E QUALIDADE DE VIDA

Independência e qualidade de vida estão entre os benefícios encontrados por Lurdes Ardengue, 67. Há sete anos ela participa de projeto de pesquisa que envolve atividades físicas com idosos. “Eu não praticava exercícios físicos. Na época, cuidava da minha mãe, que estava acamada. Eu tinha que ajudá-la no banho, colocá-la na cama, colocar a roupa nela, eu me cansava muito. Senti que precisava fazer alguma coisa”, recorda. Viver a experiência com a mãe também a fez refletir. “Eu pensei: ‘não quero isso para mim’, ‘não quero ficar desse jeito, acamada’, então eu comecei”. Foi com projeto na UEL (Universidade Estadual de Londrina) que viu a oportunidade de iniciar.
Outra motivação ajudou a costureira aposentada a tomar a decisão. Ela tinha ficado viúva há pouco tempo e viu no projeto uma forma de distração e um jeito de conhecer pessoas. “Faço atividades três vezes por semana e fiz muitas amizades assim”, afirma. O convívio social levou a uma rede de amigas com quem não só se exercita junto, mas viaja junto.
Com motivação e atenção para não faltar nas aulas, aos poucos, o corpo passou a respondeu aos estímulos. “Em todo esse tempo eu acho que melhorei muito." Para ela, ainda há muito a explorar. “Eu até brinco que estou tentando viver até os 150 anos e os professores respondem que estou no caminho certo”, ri.
Ardengue comenta que como se trata de um projeto de pesquisa, há cuidado maior com a saúde, com acompanhamento mais próximo, pois estão constantemente realizando testes para analisar os resultados. “Nada é feito escondido, sem saber o motivo daqueles exames, eles explicam tudo e vão acompanhando. Quem se beneficia é a gente”, aponta. Há tanto tempo participando, a costureira aposentada já sente pelas férias. “Quando chega o recesso, duas semanas até vai, depois eu sinto a loucura, já quero que volte logo”, ri. Voluntária assídua da pesquisa, acredita estar colaborando com a própria saúde e também com a da comunidade, já que os resultados que saem dali serão divulgados para que outros profissionais analisem o processo. “Eu nunca falto, vou certinho para não atrapalhar os resultados e eu recomendo que outras pessoas participem.”

