Marlene Stuani, cabeleireira: "Quando vejo algo diferente, comento com a cliente de modo sutil"
Marlene Stuani, cabeleireira: "Quando vejo algo diferente, comento com a cliente de modo sutil" | Foto: Gina Mardones



Avisar clientes sobre alterações no couro cabeludo faz parte da rotina da cabeleireira Marlene Stuani. "Quando vejo algo diferente, comento com a cliente de modo sutil, para não assustar. Se a pessoa nunca tinha visto, tento mostrar no espelho", diz.

Verrugas, machucados e até lesões causadas por caspa são bem comuns. "Eu recomendo que a cliente busque um dermatologista", diz, lembrando que problemas de queda também precisam de acompanhamento médico. Ela conta que nunca se deparou com manchas que pudessem indicar melanoma, mas sempre acompanha se há mudanças nas pintas.

O tatuador Sassá, como é mais conhecido, conta que evita tatuar áreas de cicatrização com menos de um ano ou vermelhidão e garante que, após ser informado pela campanha, passará a prestar atenção também em cicatrizes de melanoma. Ele mesmo teve um melanoma entre os olhos e, graças ao diagnóstico precoce, retirou a lesão sem grandes complicações. "De praxe, nunca tatuo sobre pintas ou cicatrizes recentes", conta ele, acrescentando que é bem comum encontrar pintas avermelhadas em clientes com pele clara.

"De praxe, nunca tatuo sobre pintas ou cicatrizes recentes", explica Sassá
"De praxe, nunca tatuo sobre pintas ou cicatrizes recentes", explica Sassá | Foto: Ricardo Chicarelli



Sassá também relata que, em caso de dúvidas, orienta os clientes a procurarem o dermatologista. "Tem uma senhora que quer cobrir uma cicatriz antiga, mas que não cicatrizou completamente. Pedi a ela para procurar um médico antes de tatuar", exemplificou ele, que procura conversar bastante com clientes sobre cicatrização e higienização, incluindo dicas sobre como cuidar da tatuagem até a cicatrização completa.

Ele alerta, também, que tatuagem realizada com material não esterilizado traz risco de doenças como hepatite, por isso, é muito importante observar as condições de trabalho do tatuador. "A sala tem que estar limpa, assim como os tubos de tinta. Instrumentos que estarão em contato com a luva devem ser protegidos e o material tem que ser descartável ou esterilizado em autoclave", orienta.

Já o blister da agulha e da biqueira que entrarão em contato com a pele devem ser abertos e instalados na presença do cliente. "Agulhas precisam ser sempre descartadas em descarpacks que são recolhidos por empresas que trabalham com lixo hospitalar."