Cabeleireiros, tatuadores e podólogos podem se transformar em grandes aliados na prevenção do melanoma, um tipo de câncer de pele que, apesar de ter mais de 90% de chances de cura quando diagnosticado na fase inicial, causa a morte de mais de 1.500 pessoas anualmente no Brasil. Alertar profissionais que estão em contato com a pele das pessoas sobre a importância de avisar os clientes em relação a manchas suspeitas é o foco da campanha Juntos Contra o Melanoma, uma iniciativa do GBM (Grupo Brasileiro de Melanoma).

Em São Paulo, a entidade tem promovido workshops para orientar os profissionais sobre a identificação de possíveis sinais de melanoma. A ideia é estender as atividades para o resto do Brasil. Enquanto os cursos não ocorrem, porém, o site www.juntoscontraomelanoma.com.br reúne informações preciosas para engajar cabeleireiros, podólogos e tatuadores nesta luta.

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"O melanoma é o mais grave dos cânceres de pele. Qualquer pessoa deve estar apta a suspeitar da doença e sugerir uma consulta ao dermatologista", explica o dermatologista Elimar Gomes, idealizador do programa e diretor do GBM. O modo de prevenção mais difundido é realizar o autoexame em pintas, manchas ou machucados. Existem algumas situações, entretanto, em que o melanoma é mais difícil de ser identificado, como por exemplo no couro cabeludo ou nas unhas dos pés. Nesta hora a atenção de cabeleireiros e podólogos é fundamental.

Outra preocupação dos especialistas é o uso de tatuagens para cobrir cicatrizes de melanomas retirados, o que pode dificultar novos diagnósticos da doença e colocar em risco quem faz a tatuagem. Por isso, esses profissionais também estão sendo sensibilizados pela campanha.

"As pessoas não conseguem examinar o próprio couro cabeludo, onde o melanoma tem evolução mais grave por causa da vascularização do local. A alteração só é identificada quando vira ferida", exemplifica, lembrando que os cabeleireiros são fundamentais neste contexto. "Mesmo os médicos não costumam examinar o couro cabeludo", reforça.

Melanomas também aparecem nos pés e unhas, principalmente na população de pele parda ou negra. Como as informações sobre essa particularidade são pouco difundidas, muitos podólogos identificam as lesões suspeitas mas acham que é micose ou outros tipos de doença. "O ideal é que o podólogo não mexa e oriente a buscar um dermatologista", diz. Idosos também são propensos a apresentarem melanoma nos pés e, pelas condições físicas, nem sempre conseguem se autoexaminar. "os podólogos também ajudam em relação a isso", comenta.

Gomes destaca que muitos pacientes com melanomas tratados pensam em recorrer às tatuagens para esconder a cicatrizes, o que não é recomendável. "Estamos orientando os tatuadores para que esclareçam sobre a cobertura de cicatrizes", reforça. Outra preocupação dos médicos é que os profissionais tomem cuidado para não esconder pintas ou manchas suspeitas com desenhos. "Em contato direto com a pele das pessoas, os tatuadores podem funcionar como sentinelas", define.

Imagem ilustrativa da imagem ATITUDE IMPORTANTE - Grandes aliados na identificação do melanoma



SUSPEITAS
Além do autoexame, são atitudes importantes para prevenção do melanoma o uso diário de protetor solar com fator 30 ou mais; evitar sol entre 10 e 16 horas; evitar queimaduras solares, principalmente na infância; usar chapéu, óculos, guarda-sol e camisetas com fator de proteção na prática de esportes ao ar livre.

Independentemente dos cuidados relativos à prevenção, o dermatologista lembra que "quando o câncer já está instalado, o diagnóstico precoce pode salvar vidas". Pintas assimétricas, com bordas irregulares, de cores diferentes, maiores que o normal e que mudam de formato e tamanho são sempre suspeitas e precisam ser avaliadas por dermatologistas.

Mais informações: www.juntoscontraomelanoma.com.br

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