Atenção ao consumo de sal em dias frios
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de julho de 2011
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
O brasileiro está consumindo cada vez mais sal. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma ingestão diária de até seis gramas, a população consome em média 14 gramas. A tendência do aumento de sal nos dias mais frios decorrente de refeições calóricas e condimentadas pode afetar a saúde do sistema cardiovascular e, consequentemente, do rim. Preocupada com essa realidade, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) alerta para a necessidade da redução de sódio na alimentação, levando em conta os riscos de formação de cálculos renais, as famosas ''pedras nos rins''.
Em entrevista à FOLHA, o vice-presidente da SBN, Roberto Pecoits Filho, explica que no inverno as pessoas sentem menos sede pelo fato de o organismo reduzir a necessidade de ingerir líquido. Além disso, segundo ele, as pessoas comem mais alimentos condimentados e calóricos, o que afeta diretamente a saúde.
''Sabemos hoje que 75% do sódio que as pessoas ingerem vêm dos alimentos processados e industrializados. O excesso na ingestão de sódio é muito comum entre os brasileiros. A obesidade, o sedentarismo, o hábito de fumar e a pressão alta são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença renal crônica, que é uma das formas mais graves de problemas renais'', afirma.
Silenciosa
Censo realizado em 2010 pela SBN revelou que dos 92 mil pacientes que dependem de hemodiálise, 18% morrem em decorrência da doença. A entidade estima que cerca de 10 milhões de brasileiros sofram de algum tipo de insuficiência renal, dos quais apenas 30% conhecem seu diagnóstico.
''A insuficiência renal é uma doença silenciosa. Esperar por sinais e sintomas não é uma boa estratégia para o diagnóstico precoce. O conselho é rastrear a doença renal crônica periodicamente em diabéticos, hipertensos, obesos e pessoas que têm infecções urinárias e pedras nos rins de repetição. A dosagem de creatinina no sangue e um exame simples de urina são o suficiente e podem salvar muitas vidas'', alerta Pecoits Filho.

