'Até hoje seu uso é indiscriminado'
No Brasil, a pílula do dia seguinte é disponível no Sistema Único do Saúde (SUS), amparada como uma política pública para evitar a gravidez indesejada. Nas farmácias, não é necessário receita médica para a compra.
De acordo com o ginecologista e obstetra Gustavo Eduardo Vitorino, o ideal seria que a população pudesse contar com um serviço acessível para orientação. "A distribuição foi facilitada, mas o mesmo não aconteceu com a informação. E quando esse medicamento ficou popularizado com esse nome de pílula do dia seguinte, muitas pessoas, inclusive adolescentes, deixaram de usar o comprimido tradicional para usá-la. Até hoje seu uso é indiscriminado", diz.
Uma pesquisa da Escola de Enfermagem (EE) da Universidade de São Paulo (USP) realizada em 2013, em escolas públicas e particulares da cidade de Arujá (Grande São Paulo), revela que as jovens usam a pílula do dia seguinte sem conhecimento adequado.
Foram entrevistadas 705 jovens, entre 15 e 19 anos. Os dados apontam que 94,2% delas já tinham ouvido falar da pílula e 57,7% já haviam feito uso do método. Também foi constatado que a maioria das vezes em que a pílula do dia seguinte foi utilizada (59,3%) estava associada a outro método.
Entre os fatores que motivaram o uso, a insegurança ocupou o primeiro lugar com 31,6%. O esquecimento em relação à outro método contraceptivo correspondeu a 27,1%, enquanto 20,3% responderam que o outro recurso usado para prevenir gravidez falhou. (M.O.)




