'As depressões são quadros sérios e de risco ao paciente'
É certo que existem fatores genéticos relacionados aos casos de depressão, porém especialistas afirmam que o problema também pode surgir de uma perda não elaborada (enlutada), situações de estresse e pressão psicológica. Também há casos de doenças que podem agravar quadros depressivos.
"Qualquer pessoa 'normal' pode ter depressão. Pessoas com transtornos graves de conduta (psicopatas) são os únicos que não irão entrar em depressão, pois não conseguem sentir medo e culpa", salienta o psicoterapeuta Ivan Capelatto.
O psiquiatra e presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria (Appsiq), André Rotta Burkiewicz, acrescenta que a resiliência (capacidade de o indivíduo lidar com problemas ou resistir à pressão de situações adversas) quando menor, pode levar uma pessoa com menos fatores opressores a criar um quadro depressivo. "Quando se tem uma predisposição genética, é mais fácil disso acontecer", completa.
Dentro da visão fisiológica, Capelatto explica que em um quadro depressivo "há uma 'desregulação' na ação de neurotransmissores dentro do cérebro, em especial nas sinapses (encontro dos neurônios). O neurônio passa a informação para outro e neste processo ocorre a falta de algumas substâncias, fazendo com que toda atividade cerebral seja alterada com isso".
Desta forma, não há o efeito que deveria ter em nosso cérebro de estimular, processar, de cumprir a capacidade de discernimento, pensamento, memória, concentração, além da diminuição, por exemplo, da atividade metabólica. "Você vai percebendo que a pessoa vai ficando com menos energia, menos disposição. Essa desregulação faz com que o humor não tenha mais a interpretação correta da realidade", diz.
Para o diagnóstico da depressão, há uma série de sintomas. Entre eles, a perda da vontade de fazer coisas do dia a dia, como hábitos, trabalho e desejos. A não vontade de iniciar coisas novas é, geralmente, um sintoma inicial, além da tristeza contínua. Também aparecem dores, que vêm e vão, fome exagerada ou falta de apetite, irritabilidade constante, perda da ação da serotonina (hormônio do humor), ideações suicidas, autopiedade e perda de autoestima.
"As depressões são quadros sérios e de risco ao paciente. O mito de que 'não há o que fazer' e o mito da 'falta de esforço' são revelações da falta de conhecimento e que podem terminar em tragédia se o paciente não for cuidado por um profissional", reforça Capelatto. (M.O.)




