Diferentemente da osteoartrose, a artrite é uma doença sistêmica, que não está limitada às articulações. O diagnóstico precoce é fundamental para alcançar o sucesso no tratamento que significa a remissão da doença, como explica a coordenadora da Comissão de Artrite Reumatoide da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Lícia Maria Henrique da Mota.
A artrite reumatoide é autoimune, inflamatória e crônica. A doença atinge a membrana sinovial, uma fina camada de tecido que reveste a superfície das articulações. Como ela é sistêmica pode trazer prejuízo a vários órgãos. "Sintomas como febrícula, dor articular com processo inflamatório, cansaço, rigidez nas articulações especialmente pela manhã são bastante característicos da doença", salienta a médica reumatologista Cacilda Nakamura. Conforme ela, a artrite reumatoide é muito dolorida, mas os tratamentos medicamentosos apresentam resultados satisfatórios.
A doença afeta 1% da população mundial e três vezes mais mulheres do que homens. Pessoas com familiares que apresentam a artrite reumatoide tem maiores chances de desenvolvê-la por conta da predisposição genética. Quando não é tratada adequadamente, ela pode levar ao comprometimento das juntas, provocando deformidades e limitações nas atividades do dia a dia. As pessoas que não fazem o controle adequado da doença também são mais propensas a desenvolverem alterações extra-articulares, como inflamações nos olhos e nos pulmões, doenças cardiovasculares, inflamação dos vasos sanguíneos periféricos, bem como anemia ou formação de coágulos, problemas nervosos como formigamento, dormência ou fraquezas de braços ou pernas e nódulos reumatoides sob a pele.
Lícia explica que, após instalada, a doença começa a destruir o tecido articular, cartilagem, ossos e, com o tempo, se não for tratada adequadamente, leva à deformidade. "O paciente que tem artrite pode desenvolver artrose secundária, por isso o tratamento é tão importante", salienta. Um grande número de pacientes pode apresentar lesões ósseas e articulares irreversíveis, perda da qualidade de vida e aumento da mortalidade quando a doença não é tratada adequadamente.
Novos medicamentos
O tratamento da artrite reumatoide evoluiu muito nas últimas décadas, conforme Lícia. "Nos últimos 20 anos surgiram novas classes de remédios e outras formas de empregar a medicação", explica a médica. Ela acrescenta que o tratamento foi modificado para que o paciente atinja a remissão da doença e, para isso, são utilizadas medicações combinadas e também medicamentos biológicos que já estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A médica destaca que o tratamento da doença ainda inclui atividade física, dieta adequada e, em alguns casos, fisioterapia. (M.A.)

mockup