Após cirurgia, maioria dos pacientes volta a ser obesa
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segunda-feira, 01 de outubro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Pelo menos 57% das pessoas que fazem cirurgia bariátrica voltam a engordar cerca de 10 anos após a realização do procedimento. A informação é do médico cirurgião do aparelho digestivo, Luiz Joia Neto. com base em um estudo realizado pelo médico canadense Nícolas Christou, do Centro de Saúde da Universidade de MC Gill. ''A maioria dos pacientes volta a ser obeso se não se esforçar para ter uma vida mais saudável'', afirma Joia.
A cirurgia dá uma nova chance para o paciente ter uma vida saudável sem a obesidade e as comorbidades que acompanham o problema, mas sem mudança e esforço, adianta o médico, não há resultado. O ganho de peso costuma acontecer cerca de cinco anos após a cirurgia, por isso é importante fazer o acompanhamento médico após a operação.
Dados do Hospital Universitário de Londrina apontam que em dois anos 17% dos pacientes voltam a engordar pelo menos 10% do peso mínimo que alcançaram após a cirurgia. Este índice foi tabulado levando em consideração 696 pacientes operados e acompanhados pela equipe de profissionais do hospital.
Atualmente entende-se que a obesidade é uma doença e que o acompanhamento destes pacientes precisa ser multidisciplinar, passando por cardiologista, nutricionista, pneumologista, endocrinologista e psicólogo ou psiquiatra. ''Eu costumo dizer que a cirurgia é um tratamento radical para uma doença radical'', alertou Joia Neto.
Para ele, é fundamental conscientizar o paciente sobre os riscos do procedimento. ''Tem gente que acha que a cirurgia é a solução dos problemas, mas ela é o começo de uma vida bem diferente'', disse. Segundo ele, aqueles que não têm consciência de que a cirurgia é o tratamento para uma doença, não conseguem manter o peso e acabam se arrependendo de terem feito o procedimento.
O médico endocrinologista Guilherme Marquezini observa que 80% da perda de peso acontece no primeiro ano após a cirurgia. Nesta fase, o paciente se sente mal após comer alimentos pesados ou em excesso, mas com o tempo ele aprende a burlar a limitação imposta pela cirurgia. ''O exemplo clássico é aquele que toma leite condensado ou sorvete direto do pote. Por serem líquidos, estes alimentos não fazem o paciente se sentir mal, mas fazem com que ele volte a engordar''. Para Marquezini, após a cirurgia é fundamental manter hábitos saudáveis pelo resto da vida com o objetivo de não ficar doente de novo e para isso é preciso ter uma rotina regrada.
A principal mudança dos últimos anos na realização da cirurgia bariátrica é a utilização da videolaparoscopia para fazer o procedimento e a suspensão do uso do anel de silicone, que antes era colocado no estômago. ''Deixamos de usar o anel porque percebemos que ele não interfere na perda de peso e a videolaparoscopia tem menos risco de complicação do que a cirurgia aberta'', explicou o cirurgião Luiz Joia Neto.
Segundo ele, a possibilidade de realizar uma cirurgia bariátrica acaba acomodando muitas pessoas. ''Há aquelas que em vez de se esforçarem para perder peso por conta própria, engordam mais para chegar até o Indice de Massa Corporal (IMC) mínimo para fazer a cirurgia''. De acordo com Jóia Neto, a pessoa tem que saber porque está sendo operada. ''A nossa dificuldade está em convencer o paciente de que ele pode emagrecer sem a cirurgia'', disse, acrescentando que a indicação cirúrgica do paciente deve ser muito criteriosa.

