O médico oncologista Bruno Pozzi, do Hospital do Câncer de Londrina, explicou que as diferenças entre os tipos de câncer são evidentes. Alguns tumores de mama, por exemplo, são sensíveis ao tratamento hormonal enquanto outros não demonstram alterações. ''Este tipo de informação é conhecida há décadas, a questão é que de alguns anos para cá tivemos ao alcance os medicamentos personalizados'', explica. Apesar das novas tecnologias, o oncologista explicou que são os dados clínicos e exames convencionais que ajudam o profissional a tomar a decisão sobre o tratamento que será usado em cada paciente.
O avanço de novas drogas é tão importante quanto os exames que permitem a identificação e diferenciação de cada caso. ''Não apenas o treinamento do patologista é necesário, mas avanços tecnológicos são importantes. Hoje é possível fazer o perfil genético da mutação de cada tumor e a tenência é que esta tecnologia avance'', salienta. Ele destaca que apesar de serem inovadores e estarem disponíveis, os medicamentos da medicina personalizada não são indicados para todos os pacientes. Há recomendações específicas para cada caso.
Conforme Pozzi, em Londrina, há tecnologia para realização de alguns exames que ajudam a identificar a possibilidade de usar estes medicamentos, mas exames complementares são realizados apenas em grandes centros. Para o médico, alguns destes novos medicamentos tiveram um impacto importante na evolução de alguns tumores. ''Em alguns casos dobramos e até triplicamos o tempo de vida destas pessoas'', acrescenta. Nos pacientes com chance de cura, é possível aumentar em até 30% esta possibilidade.
Segundo ele, atualmente, há no Brasil medicamentos de medicina personalizada para atender pacientes com câncer de mama, rim, linfoma, pulmão e outros. Apesar de tantos benefícios, este tipo de tratamento ainda é muito caro, os pacientes só conseguem o direito ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde via judicial. (M.A.)

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