Apenas 20% dos doentes não precisam de cirurgia
A cardiopatia congênita se desencadeia nas oito primeiras semanas de gestação e se constitui qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração, desenvolvida durante a gravidez. Considerada de causa multifatorial, o aparecimento deste tipo de alteração pode estar relacionado a fatores genéticos, consumo de drogas e ocorrência de infecções durante a gestação. Das 21 mil crianças que nascem com o problema no Brasil, apenas 20% delas não precisam de cirurgia para corrigir a anomalia, como explica o cirurgião cardiovascular Gualter Pinheiro Junior, especialista de outra cidade que vem para Londrina para realizar este tipo de procedimento em recém-nascidos no Hospital do Coração, Hospital Evangélico, Hospital Infantil e Hospital Universitário.
Por conta do aparato necessário para atender estes bebês, há poucos centros que realizam este tipo de cirurgia no Brasil. Em Londrina, o procedimento cardíaco em bebês já é realizado desde 1999. Nestes 14 anos, 150 crianças foram operadas. ''Não adianta a criança nascer em uma região que não possui estrutura para realizar a cirurgia. Quando o problema é diagnosticado, a gestante precisa ser encaminhada para uma cidade que tenha estrutura para recebê-la'', salienta o médico. Segundo ele, há cardiopatias que precisam de três ou até quatro cirurgias para serem corrigidas.
A baixa oferta de atendimento para estas crianças, acaba resultando na formação de uma fila de espera pelo serviço. ''As crianças com cardiopatia congênita geralmente precisam ficar mais tempo na UTI, se o município não tiver uma estrutura grande, não é possível dar vazão à fila'', explica. A qualidade e a continuidade da vida da criança estão diretamente relacionadas à realização da cirurgia em tempo hábil. (M.A.)




