'Aos 14 anos, estava no auge'
A vida sorri novamente para Luis Fernando Paneghini, de 42 anos. Hoje, ele comemora o emprego de sushiman, a presença e o carinho da mãe, mas o ganho maior foi ter vencido a luta contra o vício do álcool. A mãe Ancilla não esconde a alegria de ter o filho de volta e o alívio de saber que ele está recuperado.
Luis teve o primeiro contato com o álcool na pré-adolescência, por volta dos 10 anos. "Meus primos bebiam, e eu, vendo a atitude deles, tomava um gole de vez em quando. É claro que não peguei o embalo logo nessa idade, mas aos 14 anos, estava no auge bebendo todos os dias", lembra.
Ele conta que os pais sabiam e até davam conselhos, mas não imaginavam a proporção. "Nessa fase, a gente não pensa muito nas consequências. Mas chegou em um ponto que eu não conseguia mais ficar sem a bebida. Sentia falta logo pela manhã e tinha tremores. Ia trabalhar me sentindo mal por ter bebido demais na noite anterior e acabava bebendo durante o expediente", revela.
Assim como muitos dependentes, Luis demorou para aceitar a condição. Ele só foi se dar conta há quatro anos, quando passou muito mal e foi internado por hepatite alcoólica crônica, chegando perto de um quadro de cirrose.
"Quando saí do hospital, achei que estava bem e voltei a beber. Com o passar do tempo, voltei a sentir todos os sintomas e tomei a decisão. Procurei meus pais para que me ajudassem a buscar uma clínica de recuperação", diz, ao fazer referência ao Ministério Evangélico Pró-Vida (Meprovi).
Luis e a família foram acolhidos e orientados por uma psicóloga. "Estou sem beber há quase três anos. A ajuda que recebi foi fundamental, mas só funcionou porque eu quis muito. Sempre achei que estava tudo bem até que senti fisicamente as consequências. O álcool transforma a gente, nos altera por completo. Hoje posso dizer que sou outra pessoa", conclui. (M.O.)




