Anti-cancerígeno reverte Alzheimer em ratos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
<br> France Presse <br> 
Washington - Um medicamento contra o câncer restaurou rapidamente as funções cerebrais normais de ratos de laboratório que sofriam do Mal de Alzheimer, um avanço que pode resultar no desenvolvimento de um tratamento para esta doença incurável e devastadora, revelou um estudo publicado na última semana. Este anti-cancerígeno, o bexaroteno, fez desaparecer nos ratos até 75% das placas beta-amilóides, uma forma de proteína cujo acúmulo é uma das principais características patológicas do Alzheimer. Além disso, ele reverteu os sintomas desta doença, como a perda de memória.
Após 72 horas do início do tratamento com o bexaroteno, os ratos - geneticamente modificados para desenvolver o equivalente da doença de Alzheimer - começaram a exibir comportamentos normais, explicam os pesquisadores do estudo.
Estes animais também recuperaram a memória e o olfato, explicou Daniel Wesson, professor adjunto de Neurociência na faculdade de Medicina Case Western, em Cleveland (Ohio), principal co-autor do estudo publicado na revista americana Science do dia 10 de fevereiro.
Avanço
Ele notou que a perda de olfato é, geralmente, o principal sinal de Alzheimer nos humanos. Este avanço ''não tem precedentes'', considerou Paige Cramer, um pesquisador da Case Western que contribuiu com a pesquisa. ''Até agora o melhor tratamento existente em ratos de laboratório demorava vários meses para eliminar as placas amilóides.''
''Este medicamento é eficaz nos ratos e o nosso próximo objetivo é verificar se funciona da mesma maneira nos humanos'', acrescentou Gary Landreth, professor de neurociência na mesma faculdade e principal autor do estudo.
''Estamos ainda nos primeiros estágios para transformar esta descoberta fundamental em um tratamento'', disse o pesquisador. Segundo Wesson, a equipe ''espera obter os primeiros resultados de um teste clínico preliminar até o ano que vem.''
Esta pesquisa foi baseada na descoberta, em 2008, sobre o fato que o principal veículo do colesterol no cérebro, uma proteína chamada Apolipoproteína E (ApoE) também facilita a destruição das beta-amilóides. Um aumento dos níveis dessa proteína no cérebro acelera a ''limpeza'' das placas amilóides que se acumulam.

