A anafilaxia é considerada a reação alérgica mais grave e pode ser fatal quando não identificada e tratada rapidamente com adrenalina. Ela acontece quando o corpo reage de forma exagerada a algo que normalmente seria inofensivo. Medicamentos, alimentos, ferroadas de insetos e látex (presente em algumas luvas, preservativos, balões de festa e equipamentos médicos) estão entre as principais causas do problema, como informa Marisa Rosimeire Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

Os sintomas surgem de forma rápida e envolvem diferentes sistemas do corpo ao mesmo tempo. Entre as manifestações possíveis estão alterações na pele e mucosas — placas vermelhas que coçam, vermelhidão em todo o corpo, mesmo sem placas e inchaço de lábios, olhos, rosto, de língua ou garganta — além de sintomas respiratórios, como falta de ar, chiado ou aperto no peito, rouquidão, tosse persistente e sensação de “bolo na garganta”.

O quadro também pode incluir náuseas, vômitos, cólicas e diarreia; queda acentuada da pressão arterial, desmaios e alterações nos batimentos cardíacos; além de tontura, confusão mental, crises convulsivas, sensação de morte iminente e outros sinais de alarme.

A Asbai ressalta a importância de um plano de ação, que é um documento escrito, fornecido pelo médico, que orienta os pacientes e cuidadores sobre: o que causa a alergia, os sinais de alerta, quando usar a adrenalina, como aplicar, o que fazer após a administração e telefones de emergência e contatos familiares. O plano, ainda de acordo com a associação, deve ser compartilhado com escola ou creche, cuidadores, familiares, ambientes esportivos e local de trabalho. Confira mais informações sobre o assunto no site da Asbai.

Registro brasileiro coleta e analisa dados

Apesar de ser uma condição grave, a anafilaxia ainda é pouco conhecida e frequentemente subdiagnosticada no Brasil, o que dificulta o real mapeamento dos casos.

Diante do aumento de casos percebidos por especialistas que tratam as alergias, a Asbai criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-Asbai), uma iniciativa pioneira para coletar e analisar dados nacionais sobre essa condição médica.

De acordo com o último levantamento, os alimentos foram responsáveis por 42,1% das reações, com leite de vaca (12,9%), mariscos (6,9%), ovo (5,6%), trigo (3,1%) e amendoim (3,1%) sendo os mais comuns.

Já 32,4% dos casos de anafilaxia estavam relacionados a medicamentos, incluindo agentes biológicos (10,4%), anti-inflamatórios (7,2%) e antibióticos (3,8%).

Anafilaxia por insetos representou 23,9% do total, destacando-se a formiga com 8,4% dos casos. Anafilaxia ao látex foi identificado em 11 casos.

O levantamento apontou que 55,5% das crianças do sexo masculino são maioria dos casos de anafilaxia e em adultos, 59,2% dos casos ocorreram em mulheres.

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Implementação de políticas públicas

O Registro Brasileiro de Anafilaxia conta com 318 pacientes, dos quais 163 são mulheres. A média de idade é de 27 anos, abrangendo faixas etárias de 2 a 81 anos.

Pacientes de 20 dos 27 estados brasileiros participam, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste: São Paulo (22%), Minas Gerais (17,6%), Paraná (14,5%) e Rio de Janeiro (13,5%).

“A Asbai criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o perfil da doença entre os brasileiros para que políticas públicas possam ser implementadas no que diz respeito à prevenção e ao tratamento da anafilaxia, considerada a reação alérgica mais grave e que pode levar à morte”, explica Mara Morelo, diretora de Pesquisa Adjunta e coordenadora do estudo, ao lado de Dirceu Solé, diretor de Pesquisa da Asbai.

Adrenalina autoinjetável só por importação

O Registro Brasileiro de Anafilaxia mostrou também que apenas 8,2% dos pacientes possuíam o kit de emergência, ou seja, 43 pacientes tinham a caneta de adrenalina autoinjetável.

Atualmente, a apresentação da adrenalina autoinjetora só pode ser adquirida por importação, a um custo alto. O Brasil ainda não tem esse dispositivo, que está em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Já 96,2% dos pacientes com anafilaxia receberam algum tipo de tratamento, com uso de adrenalina em 50,3% dos casos, porém, com a administração do medicamento feita por profissionais em 42,1% dos casos, ou seja, em âmbito hospitalar.

Quinze pacientes necessitaram de intubação (11 adultos, 2 idosos, 2 crianças) e 10 foram reanimados (6 adultos, 3 idosos, 1 criança).

“A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento”, explica Mara Morelo.

Projetos de lei apoiados pela associação

Segundo a presidente da entidade, Fátima Fernandes, dois projetos de lei apoioados pela Asbai tramitam no Congresso e são importantes para os pacientes com anafilaxia. "O PL 1945/21 discorre sobre a Notificação Obrigatória que permitirá coletar dados oficiais sobre anafilaxia, entender sua prevalência e impactos, e fundamentar políticas públicas eficazes", informa.

"Já o PL 85/24 dispõe sobre fornecimento gratuito da caneta de adrenalina auto injetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de modo a permitir o acesso rápido e autônomo ao tratamento, especialmente em ambientes domésticos e escolares, sem depender exclusivamente de atendimento hospitalar", acrescenta.

(Com informações da Assessoria)

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