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DIAGNÓSTICO 5m de leitura Atualizado em 01/11/2021, 08:17

Alterações no sono das crianças são alerta para os pais

Ronco, respiração pela boca, sono agitado e dificuldade de concentração podem ser sinais da apneia obstrutiva do sono, que afeta até 5% das crianças, especialmente entre 2 e 8 anos

PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de outubro de 2021

Micaela Orikasa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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As principais funções restauradoras do corpo ocorrem enquanto dormimos. Uma boa noite de sono garante a saúde do corpo e da mente, repõe as energias e regula o metabolismo. A lista de benefícios é grande e muita gente já tem conhecimento sobre, mas, dentre os fatores que podem comprometer este momento, a apneia obstrutiva do sono pode ser novidade para uma parcela da população. Ainda mais quando ela ocorre na infância.

Imagem ilustrativa da imagem Alterações no sono das crianças são alerta para os pais
|  Foto: iStock
 

De acordo com o Instituto do Sono, de São Paulo,  de 1% a 5% das crianças no mundo são afetadas por esse distúrbio, principalmente na faixa etária de 2 a 8 anos. A doença é caracterizada por episódios recorrentes e intermitentes de colapso das vias aéreas, que levam à cessação total ou parcial do fluxo de ar. Quando não tratada, ela pode afetar o aprendizado, retardar o crescimento, elevar a hipertensão arterial e aumentar o risco de doença cardíaca na vida adulta. 

Como alerta, os pais e responsáveis devem observar os sinais mais comuns que são roncos, respiração oral (dormir com boca aberta), sono agitado, babação no travesseiro, além de alterações de comportamento diurno como hiperatividade, agressividade e irritabilidade.  

FATORES 

Os sintomas elencados pela pesquisadora do Instituto do Sono, Sandra Doria, quando relacionados à apneia obstrutiva do sono em crianças, têm como principal causa o aumento da adenoide e/ou das amígdalas, mas também podem surgir de fatores como obesidade, histórico familiar e conformação dos ossos faciais (arcadas superior e inferior estreitas e face longa). 

"O aumento de volume da adenoide e amígdalas pode ocorrer temporariamente, durante um quadro infeccioso, já que ambos são órgãos de defesa. Quando esse aumento se mantém ao longo do tempo, independentemente de infecção, e gera sintomas como os descritos acima, pode haver indicação cirúrgica. Há um componente genético envolvido no tamanho destes órgãos, sendo comum a presença de aumento de volume dos mesmos em membros da mesma família", explica. 

GIBI DIGITAL

O primeiro passo para o diagnóstico é a observação dos pais e/ou responsáveis pela criança. Para isso, é fundamental que os adultos saibam da existência do distúrbio e seus sintomas. Pensando em difundir essa informação, o Instituto do Sono acaba de lançar um gibi digital para ajudar os pais a identificarem a apneia obstrutiva do sono nas crianças. O material por ser acessado pelo endereço: https://institutodosono.com/dona-ciencia-edicao-39/

O gibi digital narra a história do personagem Bento, um menino de 8 anos, que tem dificuldade para acordar e dorme nas aulas. No encontro com a mãe do menino, a professora pede ajuda à Dona Ciência, que diagnostica apneia obstrutiva do sono e relaciona os fatores de risco para doença. O fascículo faz parte da coleção de gibis Dona Ciência, idealizada pela diretora de Ensino e Pesquisa do Instituto, Monica Andersen. 

Identificados os sintomas, o diagnóstico é feito com uma polissonografia, um exame não invasivo que mede a atividade respiratória, muscular e cerebral durante o sono. Diante do resultado, o médico irá prescrever o tratamento, que poderá envolver desde dieta para perda de peso até a cirurgia para a remoção das amídalas e da adenoide.  

Se tiver rinite alérgica, o pequeno paciente deverá fazer um tratamento específico, porque as alergias podem causar inchaço e congestão nasal. Quando necessário, o médico encaminhará a criança para avaliações ortodônticas, que irão detectar possíveis anomalias como respiração oral, mordidas aberta ou cruzada, face alongada e crescimento mandibular reduzido (retrusão mandibular). 

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|  Foto: iStock
 

INSÔNIA: CAUSA COMPORTAMENTAL

Ainda de acordo com Doria, outro distúrbio do sono presente na infância é a insônia. “Na grande maioria das vezes, a causa é comportamental. Maus hábitos de higiene do sono, falta de limites, atitudes inadequadas na indução do sono e nos despertares na madrugada podem estar envolvidos no desencadeamento das queixas. Uma boa orientação aos pais por um profissional da área pode resolver o problema”, aponta.  

Outras queixas comuns são as parassonias, como o terror noturno. “São crianças que acordam no meio da noite com choro inconsolável, dura alguns minutos, adormecem em seguida e não lembram do ocorrido no dia seguinte. A privação do sono pode ser o fator desencadeante nestes casos, além de uso abusivo de eletrônicos.”

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