Dores de estômago e de cabeça, palpitações e outros problemas de saúde mais comuns recebem maior atenção das pessoas do que as alterações intestinais. O que poucos se atentam é que o funcionamento do intestino é essencial para o bom andamento de todo o organismo humano, já que é nele que ocorre a absorção dos nutrientes dos alimentos e a eliminação do que não serve para o corpo.
O intestino de cada pessoa tem um ritmo próprio e o fato de ser mais ou menos lento não caracteriza uma doença. De acordo com o médico gastroenterologista Roberto Menoli, o que mais importa são as alterações do ritmo intestinal consideradas normal pela pessoa. Ele afirma que os hábitos alimentares como a ingestão de mais ou menos fibras e água interferem nesta questão, mas além disso há outros fatores que devem ser levados em conta. "Nesta vida moderna as pessoas não têm horário para ir ao banheiro e muitas vezes o local que elas têm disponível não é adequado porque não oferece privacidade suficiente, isso faz com que o ritmo intestinal seja prejudicado. Muitas pessoas chegam a ter o intestino preso porque não tem tempo de evacuar", alerta o especialista.
Entre as enfermidades que atacam o intestino estão as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). Os dois grupos principais são a Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn. Com origem desconhecida, crônica e predisposição genética e ambiental, as DII afetam homens e mulheres indistintamente e o diagnóstico acontece geralmente na faixa etária entre 20 e 40 anos. "Ambas trazem importantes consequências físicas e emocionais, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos doentes. Elas podem ser controladas se diagnosticadas precocemente e tratadas de forma adequada, evitando possíveis cirurgias", esclarece Sender Miszputen, presidente do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB).
Sabe-se também que os hábitos de vida exercem papel importante em relação ao aparecimento destas doenças. Estudos recentes realizados pela ECCO-EpiCom Study, pela Organização Europeia de Doença de Chron e de Retocolite Ulcerativa (ECCO) e pela Associação das Federações de Chron e Retocolite Ulcerativa (EFCCA) revelam que as Doenças Inflamatórias Intestinais cresceram 15 vezes nas últimas décadas nos grandes centros urbanos. Segundo pesquisa europeia, dez anos após o diagnóstico, 53% dos pacientes serão hospitalizados e 44% serão afastados de seu trabalho em decorrência da doença.
Tanto a Doença de Crohn quanto a Retocolite Ulcerativa se manifestam em forma de dor ou diarreia e possuem uma relação com o aparecimento de câncer no intestino.

Estresse


As alterações intestinais podem ocorrer por conta de inúmeros fatores e os períodos de estresse também podem causar interferência. "Há pessoas que têm vontade de ir ao banheiro quando ficam tensas, mas o contrário também ocorre. As reações são muito individuais, não há uma regra", destaca. Um outro fator que interfere no trânsito intestinal e muitas vezes não é levado em conta são os medicamentos e as interações medicamentosas. "O mesmo medicamento pode ter efeitos colaterais variados em pessoas diferentes. Sempre que o indivíduo tiver uma diarreia ou uma obstipação intestinal ele deve se lembrar se incluiu algum medicamento novo na sua rotina", comenta. Conforme ele, esta questão é muitas vezes negligenciada até mesmo pelos médicos, por isso é importante que os pacientes fiquem atentos.

Causas


As causas mais comuns da diarreia são alergias a alimentos, infecções virais ou bacterianas e intolerância à lactose. Este último atinge 70% da população e, de acordo com o médico, além do desarranjo intestinal pode provocar prisão de ventre em alguns casos. "Diante de uma situação de diarreia, a primeira preocupação é manter-se hidratado. Sabemos que ela é uma agressão, mas na verdade é também uma forma de defesa do organismo", explica o médico. De acordo com ele, a automedicação é perigosa nestes casos, especialmente porque não se usa mais medicamentos para "segurar" o intestino, "mas remédios caseiros e naturais como suco de limão ou água com amido de milho, que podem não melhorar, mas também não fazem mal", comenta o médico. Caso o quadro de diarreia mantenha uma intensidade regular e não melhore após dois ou três dias é recomendável que se procure ajuda médica.
É normal que, ao longo dos anos, o intestino apresente mudanças de ritmo, o médico afirma que isso se deve por conta das alterações alimentares e de rotina que vivemos. "Durante a vida podemos desenvolver intolerâncias, alterar rotinas, incluir ou retirar alimentos das dietas e tudo isso pode refletir no funcionamento do intestino", comenta.

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