O psicanalista Luiz Cláudio de Roco ressalta que geralmente quem sofre de transtorno explosivo intermitente sente alívio após a explosão de raiva. "É como se fosse algo prazeroso. Por dentro de sua mente ele acha que está certo. Depois vêm os outros sentimentos ruins, como a vergonha, a culpa e o arrependimento, embora ele continue achando que tem razão em tudo que fez. Ele acaba se corroendo por dentro e fica com aquilo na cabeça", descreveu o profissional, que atua em Cambé (Região Metropolitana de Londrina).

Roco relata que um de seus paciente chegou ao seu consultório depois de ter passado por dez empregos em três anos. "Fui ver o histórico dele e constatei que era uma pessoa que não tinha paciência, não conseguia ter convívio social. Isso gera isolamento social."

Ele explicou que os casos são diagnosticados geralmente após os 18 anos, porque enquanto criança e adolescente o sujeito está se formando como pessoa. "Mas depois dos 18 anos, quando o diagnóstico indica o TEI, na anamnese (histórico de todos os sintomas narrados pelo paciente) é verificado o histórico escolar, se a pessoa era um aluno briguento, com problemas de relacionamento."

A psicóloga Liliana Seger enaltece a importância do tratamento duplo. "O tratamento aliando a medicação e a psicoterapia cognitiva e comportamental é mais eficaz. A qualidade de vida delas melhora muito. A medicação vai conseguir dar mais tempo para a pessoa respirar, ou seja, ela não reage ou super reage de forma mais intensa. No entanto, se o sujeito não identificar os gatilhos que desencadeiam isso, vai ter de tomar os medicamentos para o resto da vida", advertiu. (V.O.)

mockup