Alimentos orgânicos só com selo
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domingo, 27 de fevereiro de 2011
Marici Capitelli <br> Agência Estado <br> 
São Paulo - Na hora de comprar alimentos orgânicos, não basta checar se a fruta está madura ou se as folhas da verdura têm queimaduras. O consumidor deve olhar se o produto traz o selo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que autentica sua qualidade. Ele se tornou obrigatório desde o primeiro dia deste ano.
''O selo significa que o produto é acompanhado pelo Estado. E isso tem a ver não apenas com a questão da ausência do agrotóxico, mas com o fato de ser um produto social e ambientalmente correto'', diz o chefe da Divisão de Desenvolvimento de Agroecologia do Mapa, Jorge Ricardo de Almeida Gonçalves.
Pesquisa feita no Brasil mostrou que metade dos compradores de orgânicos tem pouca informação sobre eles, mas os consome em busca de saúde e qualidade de vida. Para os especialistas, a saúde sai mesmo ganhando com o consumo de alimentos desse tipo: sem a carga tóxica, são mais bem metabolizados pelo organismo.
José Pedro Santiago, sócio-gestor do IBD Certificações, empresa brasileira que atua no setor de inspeção e certificação agropecuária, afirma que o selo oferece algumas garantias, como a possibilidade de rastreamento do produto. ''Se não houvesse a certificação, qualquer um poderia colocar o nome de 'orgânico' em qualquer produto, como ocorre hoje com os itens autodenominados 'naturais', que não são regulamentados nem certificados'', exemplifica.
Só não precisam ter o selo os orgânicos vendidos em feiras livres por pequenos produtores familiares. Mas mesmo esses produtores devem ser cadastrados no Ministério da Agricultura e precisam portar um crachá que fique visível para os consumidores.
Alguns produtos orgânicos no País já têm selo de certificadoras particulares. Mas Gonçalves salienta que, pela nova regra, só essa certificação não é válida. ''É preciso ter o selo do Mapa. Se não tiver, está irregular. Nesse caso, a orientação para o consumidor é a de não comprar'', diz.
Na avaliação do coordenador executivo do Projeto Organics Brasil, Ming Liu, o mercado deve demorar de seis meses a um ano para estar totalmente adaptado. Ele lembra que, na maioria dos países da Europa e também no Canadá e no Japão, há leis que regulam os produtos orgânicos.
Engenheira agrônoma e presidente da Associação de Agricultura Orgânica, Ondalva Serrano afirma que o selo é um ''grande passo''. Mas diz que falta uma política pública para os produtores. A engenheira cita, por exemplo, que não há no País quantidade suficiente de sementes orgânicas. ''Por isso, são pouquíssimos os produtores exclusivamente orgânicos'', diz.
A nutricionista funcional Andrezza Botelho garante que os orgânicos são, de fato, mais saudáveis. Isso porque, sem a carga tóxica, são melhor metabolizados pelo organismo.
Andrezza frisa que os produtos orgânicos são encontrados de acordo com a época do ano. ''Não se acha tudo o ano inteiro. E, como outros alimentos, os orgânicos também precisam ser lavados antes de comer.''

