Alimentação adequada para esportes de alto rendimento
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domingo, 15 de abril de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 

Ao se alimentar bem um atleta de alto rendimento consegue manter um estado ótimo de nutrientes e compostos bioativos, que são fundamentais para ter energia. É preciso comer de maneira equilibrada para melhorar o funcionamento do sistema imunológico, para combater o estresse oxidativo gerado naturalmente pela atividade física e as inflamações. Um cardápio balanceado ajuda também a minimizar os riscos de lesões musculares e articulares, entre outros benefícios.
Por isso, atletas de alto rendimento precisam do acompanhamento de um profissional.
A nutrição esportiva do time profissional do Londrina Esporte Clube fica a cargo de João Pinheiro e Marcos Hirata. Pinheiro explicou que o consumo calórico diário varia muito de jogador para jogador. "O valor energético necessário para o jogador de futebol é muito maior que o de uma pessoa comum. Todo mundo tem um consumo bom, mas isso depende muito da composição corporal. Os laterais têm grande sprint, gastam muito e consequentemente necessitam mais. Eles precisam ingerir de quatro mil a cinco mil calorias", aponta.
Pinheiro explica que o gasto energético pré e pós-jogo são os mais importantes. "Um dia antes eles precisam fazer ingestão de carboidrato suficiente para que entrem em campo com o 'tanque cheio'. O macarrão é uma energia rápida e essa alimentação um dia antes do jogo é interessante. Eles precisam de uma boa recuperação muscular e também de um bom estoque de proteína. Nesse dia antes do jogo a gente prepara um cardápio diferenciado, com cortes de carnes diferentes", explicou.
No dia da partida os nutricionistas "seguram mais", e os atletas não devem extrapolar. "Doces são autorizados até um dia antes do jogo, mas no dia é preciso dar uma segurada", expôs.
Quando eles vão disputar uma partida, a principal refeição é o almoço que é realizado entre 12h30 e 13 horas. Em viagens o acompanhamento dos nutricionistas é essencial, principalmente quando a equipe sai do Paraná e vai para regiões distantes que possuem alimentação e temperos diferentes. "Nosso trabalho na nutrição esportiva é fiscalizar como a refeição é preparada nos hotéis. Eles têm que permitir essa supervisão até para ver como essa alimentação está sendo exposta", apontou Pinheiro.
Durante o intervalo das partidas também há o trabalho de reposição de nutrientes. "Realizamos a suplementação de carboidratos, de eletrólitos, aminoácidos e proteínas, para recuperação muscular", disse, explicando que para isso também são usados suplementos.
A nutrição dos atletas que estão no departamento médico também merece atenção especial. "Por não estarem treinando e não terem o mesmo gasto energético em relação aos que estão bem fisicamente, o consumo de carboidratos deve ser menor. No entanto esses atletas precisam ter um bom estoque de proteína para a recuperação muscular", apontou o nutricionista.
Sobre o consumo de verduras e legumes, ele diz que há jogadores com uma certa dificuldade devido aos hábitos que vêm de casa. "Eu incentivo e oriento sobre a importância desses alimentos para obter vitaminas e minerais até por questões imunológicas, para não ter problemas de saúde. Hoje eles têm uma consciência um pouco maior. Eu acompanho o prato de cada um; vejo o que está faltando ou não", destacou.
Informações da internet precisam ser filtradas
Com o advento da internet, a informação sobre nutrição esportiva ficou mais disponível para todos, mas há muita coisa que precisa ser filtrada. A nutricionista Cátia Voss, que possui um restaurante e é nutricionista da equipe de handebol MRV/Unicesumar/Paiquerê FM/Londrina, ressalta que hoje a internet está aberta e cheia de informação. "Mas a confiança é que manda. Os atletas chegam com bastante informação e dentro de todos esses dados que eles trazem a gente tenta orientar sobre o que é mais adequado para eles", apontou.
Ela explica que uma equipe de alto rendimento e de projeção nacional possui atletas de vários lugares do País e diante disso é preciso explicar sobre alguns alimentos diferentes dos estados de origem. "No ano passado veio um pessoal de fora que a gente orientou porque não conhecia alguns alimentos. Eles foram experimentando esses sabores que são completamente novos."
Além do que o atleta come, ela ressalta que as refeições devem ser realizadas no horário certo. "Às vezes o atleta acorda tarde no dia do jogo e não toma o café da manhã. Quando vai para o jogo o rendimento não é legal. Há uma rotina que precisa ser obedecida", observou.
O técnico Giancarlo Ramirez ressalta que a somatória da alimentação com a preparação física equivale a 60% a 70% do desempenho do atleta. "O resto é técnico e tático. Fica mais fácil treinar um time bem preparado fisicamente", destacou.
Ele ressalta que o handebol exige muitas capacidades. "Tem que ter resistência, força, potência, suportar impacto e ao mesmo tempo tem que ter massa muscular razoável, porque vai ter o contato físico com o defensor. O atleta não pode ser muito magro e também não pode ser muito grande a ponto de não conseguir correr com a agilidade que a modalidade exige", explicou. "Tem atleta que chega aqui e não tem noção nenhuma de alimentação. É um talento nato e só come arroz, feijão e carne. Nunca comeu legumes e verduras. No handebol a gente dá essa alimentação equilibrada de segunda a sábado e consegue ter um bom controle", apontou.
'Por serem esportistas elas são bem disciplinadas'

A nutricionista Fernanda Teodoro Oliveira Canavese é a responsável por acompanhar a alimentação das jogadoras do Vôlei Positivo, de Londrina. Ela explicou que a refeição principal de uma atleta feminina de vôlei gira em torno de 700 a 800 calorias. "As refeições menores ficam em torno de 400 a 500 calorias. Mas elas fazem no mínimo quatro e no máximo seis refeições por dia."
"Eu oriento o que é mais importante, que são as refeições pré e pós treino. O voleibol é um esporte de explosão. Uma atleta jamais pode fazer uma dieta low carb, que retira o carboidrato, porque ela não forma glicogênio. Por isso informo qual nutriente vai formar o quê. No pós treino não pode faltar carboidrato", apontou. Mesmo assim surgem dificuldades, como nos dias de calor, em que muitas não conseguem comer. Nesse caso a nutricionista orienta as atletas a usar suplementos para repor as necessidades.
A nutricionista apontou que muitas atletas moram sozinhas e precisam ter opções práticas e saudáveis. "Eu envio receitas para elas e elas seguem direitinho. Por serem esportistas elas são bem disciplinadas. Poucas precisavam perder peso quando chegaram aqui. As que precisaram seguiram a nossa orientação. Outra questão é que existem atletas que seguem a dieta vegana e nesse caso elas precisam de bastante orientação para reposição de proteínas a partir de sementes, grãos, feijões e proteínas vegetais."
A levantadora Natália Vieira afirma que não só as atletas, mas todas as pessoas deveriam ter acesso a informações sobre nutrição. "A nossa saúde vem de dentro. Se a gente comer bem muda não só o corpo e a nossa saúde física, mas a nossa saúde mental, astral e energia. O importante da nutrição para mim, além de manter a forma, é o estar bem comigo, estar com energia no alto para desempenhar da melhor forma", expôs. Ela garante que na maioria das vezes as atletas são bem disciplinadas. "Ainda mais porque a Superliga B é um campeonato curto e a gente precisa estar bem durante todo o campeonato. É importante ter uma nutricionista, porque ela dá dicas, manda receitas para a gente e orienta sobre substituições. É ótimo", apontou.
A líbero Silvana Fernandes Papini também enalteceu que ter uma alimentação balanceada é extremamente importante, porque os treinos de alto rendimento são muito puxados. "A alimentação tem que ser regrada e certinha e esse acompanhamento é importante para que a gente tenha uma recuperação boa e um desempenho melhor ainda." A líbero também disse que até para fugir um pouco do rigor de uma dieta é importante ter a nutricionista por perto. "Ela diz qual o momento que a gente pode comer uma besteirinha, porque ninguém é de ferro", apontou.

