Não é de hoje que estudos revelam que as mulheres estão à frente dos homens quando o assunto é obesidade. No entanto, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou um novo dado alarmante.
A pesquisa foi realizada em 64 mil domicílios em 1.600 municípios de todo o País e, pela primeira vez, mediu a circunferência da cintura dos entrevistados. Mais da metade das mulheres, ou seja, 52,1% apresentaram prevalência superior de obesidade abdominal, com cintura acima de 88 cm.
Entre os homens, esse índice chega a 21,8% com cintura acima de 102 cm, medida que aponta circunferência aumentada no sexo masculino. Esses números inéditos, chamam atenção porque a medida da cintura pode indicar, além da obesidade, um maior risco para doenças como hipertensão e diabetes, que são associadas a problemas cardíacos e elevam as chances de morte.
Em dados mais detalhados, a PNS revelou que as mulheres (7%) apresentaram a maior proporção de relato de diagnóstico de diabetes em relação aos homens (5,4%). O mesmo acontece quando o assunto é pressão alta. Enquanto 24,2% das entrevistadas referiram diagnóstico médico de hipertensão arterial, o público masculino foi de 18,3%.
E quando a pesquisa questionou sobre colesterol alto, elas também apresentaram o maior percentual (15,1%) comparado a eles (9,7%). Em relação ao excesso de peso, o levantamento revela ainda que uma em cada quatro mulheres (24,4%) estão obesas e, entre os homens, o percentual é menor (16,8%).
"Já se sabe que as mulheres são mais obesas que os homens, mas isso tem piorado, como mostra esse novo dado em que elas apresentam maior índice de gordura visceral", comenta a endocrinologista Maria Edna de Melo, diretora da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). A entidade promove, neste mês, algumas ações pelo Dia Mundial da Obesidade celebrado em 11 de outubro, sob o tema "Mudar para viver mais e melhor".
Mas qual é a justificativa para as mulheres estarem engordando tanto? Para dar essa resposta, Maria Edna levanta alguns pontos, a começar pela questão hormonal. "Os hormônios femininos implicariam em uma melhor distribuição dessa gordura, pois o perfil da mulher é de ter mais quadril e, do homem, de ter mais barriga. Então essa justificativa hormonal, pelo menos para obesidade visceral, não se aplica", afirma.
Por outro lado, ressalta que o homem tem testosterona e mais massa muscular, que promovem um maior gasto energético. "Sendo assim, eles tendem a queimar mais calorias do que as mulheres", diz, em referência aos dados de sobrepeso e não da circunferência abdominal.
O destaque, segundo ela, está relacionado à vida moderna. Maria Edna diz que mesmo que a mulher tenha conquistado espaços que antes eram exclusivamente masculinos, ela ainda exerce um papel em casa. "Na maioria das vezes é a mulher que acaba preparando a comida para a família, ou seja, tendo um acesso e uma exposição maior aos alimentos. Além disso, a mulher hoje tem uma sobrecarga de trabalho e consequentemente de estresse, que também é um fator que aumenta a gordura visceral", aponta.
Entretanto, a emancipação da mulher também pode justificar um maior consumo de produtos industrializados, ricos em gordura. "São algumas hipóteses porque não há nenhum dado específico comprovando porque as mulheres têm engordado mais que os homens", salienta.

INFORMAÇÃO
No fim do ano passado, o Ministério da Saúde lançou um novo guia alimentar a fim de orientar as famílias a optarem por refeições mais caseiras. "Tendo informação, você sabe que é importante ter equilíbrio. Consumir ocasionalmente um alimento mais calórico não é um problema. O fato é que todo exagero pode trazer prejuízos", diz.
E como não há milagres, Maria Edna reforça a lição básica. "Comer frutas, legumes e verduras todos os dias é o que todo mundo tem que ter em mente. Além disso, é preciso filtrar as informações. Tem muita coisa da moda que não tem comprovação científica nenhuma", conclui.
A simplicidade de comer em casa, ou seja, preparar o próprio alimento tem sido o melhor caminho. "Você acaba controlando a quantidade de óleo, o que resulta em uma refeição menos calórica. A gordura é um ingrediente muito palatável e um artifício usado pela indústria para deixar as comidas mais saborosas. Assim, você acaba comendo mais do que deveria ou precisaria", afirma Maria Edna. Segundo ela, avaliações com pacientes mostram que muitos ainda não têm a percepção do tamanho do prejuízo. "As pessoas ainda pensam que se o indivíduo não for obeso, então ele não tem o problema", conclui.

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