É difícil imaginar que uma simples azeitona possa desencadear uma reação alérgica, mas a operadora de telemarketing Tania Leni Scheidemantel sente na pele, literalmente, o que isso significa. Alérgica a quase tudo, principalmente a alimentos e medicamentos, Tania é obrigada a carregar na bolsa uma lista com os nomes das substâncias que lhe causam reação alérgica (leia mais nesta página).
Coceira, mal estar, vermelhidão pelo corpo e dificuldades para respirar podem ser sintomas de quem está passando por uma crise alérgica, alerta o médico demartologista e alergista Rubens Pontello, explicando que a hipersensibilidade a um determinado agente é coisa séria, mas pode ser controlada com medicamentos e informação.
As alergias de contato geralmente aparecem quando a pessoa toca ou utiliza um produto que tenha o fator alergênico. ''Podem ser metais, cosméticos e medicamentos'', disse. De acordo com ele, uma alergia bastante perigosa é ao látex. ''As pessoas que possuem esta sensibilidade devem avisar parentes e conhecidos. No caso de uma cirurgia e até mesmo de uma visita ao dentista as luvas de látex não podem ser utilizadas'', disse.
Geralmente diante de uma situação de alergia dermatológica, o primeiro sintoma é a irritação do local que entrou em contato com a substância. ''Estes quadros geralmente são provocados por produtos muito ácidos ou muito alcalinos. São comuns alergias a detergentes, esmaltes de unha, níquel e remédios'', elencou.
A alergia tem recorrência, mas pode permanecer assintomática por alguns períodos. Segundo o dermatologista, as pessoas precisam se adaptar a esta condição. ''Não tem cura, o segredo é manter-se afastado da causa'', disse. O tratamento disponível alivia os sintomas, mas o processo alérgico sempre será desencadeado quando a pessoa entrar em contato com o agente.
Em casos mais graves há tratamentos que visam combater a causa da alergia. Para boa parte dos pacientes, é fundamental evitar o agente alergênico, mas quando isso não é possível, é preciso instituir medidas de prevenção ou de alívio. ''Em alguns casos há vacinas que podem ajudar. Elas são indicadas em situações extremas'', disse.
Quem tem alergia já nasce com a predisposição para desenvolvê-la, mas muitas vezes a situação aparece depois que a pessoa já está adulta. ''O contato frequente da pessoa com o agente acaba favorecendo o aparecimento dos sintomas'', explicou Pontello. Ele disse que algumas alergias que acometem crianças desaparecem com o tempo, já quando os sintomas começam a aparecer depois que a pessoa já está adulta, raramente o quadro é revertido. ''Em alguns casos ela pode piorar com o passar dos anos'', alertou o médico.
Há testes que apontam a quais substâncias a pessoa tem alergia, mas eles não possibilitam que sejam identificados os medicamentos que podem provocar reações alérgicas. ''As pessoas que sabem que são alérgicas a algum medicamento devem deixar esta informação escrita na carteira e avisar pessoas próximas, para que a substância não seja usada em caso de emergência'', destacou. Segundo ele, há pessoas que possuem sensibilidade inclusive aos medicamentos antialérgicos.
O médico explicou que as alergias podem ter fundo genético. ''Às vezes a pessoa tem alergia ao veneno da abelha e a sabão em pedra. São coisas distintas relacionadas a mecanismos diferentes do sistema imunológico. É uma questão que pode acontecer'', explicou
As alergias a alimentos podem ser perigosas, causar anafilaxia e levar à morte. Segundo o médico, quem tem alergia a alguma comida precisa saber como os pratos são preparados nos restaurantes. ''O simples armazenamento de um alimento no mesmo recipiente em que outro alimento alergênico foi guardado pode desencadear uma reação no paciente'', explicou.
Cerca de 80% das alergias alimentares são provocadas por cinco alimentos: trigo, soja, peixe, ovo e leite. Nem sempre a reação de uma pessoa a determinado alimento é alergia, pode ser intolerância, efeito tóxico, reação infecciosa e outras.

Imagem ilustrativa da imagem Alergia não tem cura, mas tem controle
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