Alergia ao leite é mais agressiva
Diferentemente da intolerância à lactose, que é causada pela falta ou baixa produção da enzima lactase, a alergia à proteína do leite é uma reação imunológica do organismo, que desenvolve anticorpos contra uma ou mais proteínas presentes no leite.
O médico gastroenterologista Clóvis Kuwahara explica que os casos de alergia ao leite são mais agressivos que os de intolerância, bem como a reação do organismo é mais acentuada nos alérgicos. "A pessoa pode apesentar diarreia com sangue, falta de ar, fraqueza e geralmente apresenta lesões na pele e chiado no peito", detalha. O especialista salienta que, apesar da gravidade, não é habitual que este tipo de alergia cause choque anafilático e leve à morte.
Como as demais alergias, a pessoa que apresenta este tipo de reação ao consumir leite já nasce com uma predisposição genética para tal. O problema normalmente aparece na infância - muitas vezes, logo no primeiro contato com o leite de vaca - e interfere no peso e estatura da criança. Ele esclarece que o único leite que não provoca reação é o materno e o diagnóstico do problema é feito com ajuda de um exame de endoscopia.
A nutricionista Clísia Mara Carreira acrescenta que pessoas que nunca apresentaram reação ao leite também podem desenvolver o problema, após uma situação de estresse.
Alergia cruzada
A nutricionista afirma que a alergia cruzada é um dos maiores problemas enfrentados por estes pacientes, já que muitos que têm reação alérgica à proteína do leite podem ser alérgicos também a soja, ovo, carne vermelha e trigo, por isto ela é mais grave do ponto de vista nutricional do que a intolerância à lactose. "A criança com este problema tem uma alimentação muito limitada, em especial nos dois primeiros anos de vida. Como sobra pouca opção de proteína animal disponível para o consumo, ela pode ter um prejuízo significativo no crescimento e no desenvolvimento", comenta. Os pais devem se preocupar em proporcionar a quantidade adequada de cálcio e vitamina D para a criança. (M.A.)





