Uma geração que cresceu vendo a distribuição de preservativos em grandes eventos e unidades básicas de saúde parece ainda não entender a gravidade de doenças sexualmente transmissíveis como a Aids. O número de adolescentes - entre 15 e 19 anos - com a doença tem chamado a atenção da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). Dados do órgão mostram que nos últimos quatro anos houve um aumento significativo no número de casos envolvendo essa população. Para agentes da saúde que lidam diretamente com as pessoas infectadas, a banalização do sexo é um dos principais fatores para o aumento dos casos, além da subestimação da doença.
De acordo com a coordenadora estadual de DST/Aids da Sesa, Kátia Adriana Moreira, desde 2007 o Paraná registrou 94 novos casos de adolescentes com a doença, sendo 35 meninos e 59 meninas. Outro dado alarmante é a quantidade de gestantes (de idades variadas) infectadas: só este ano já foram notificados 180 novos casos.
Apesar de a Sesa não divulgar dados anteriores em relação aos adolescentes com Aids, que possam levar a uma comparação, o órgão salienta que os números são preocupantes por se tratar de uma faixa etária bastante precoce.
''Percebemos que os jovens têm conhecimento da doença e até cultivam o hábito de carregar o preservativo, mas na hora do relacionamento sexual não usam. Para eles, a Aids não tem uma 'cara'. Essa geração não foi sensibilizada como as gerações anteriores que viram seus ídolos enfrentando a luta contra a doença'', enfatiza.
O Paraná conta hoje com 27.212 casos de Aids, números acumulados desde o ano de 1984 quando foi registrado o primeiro caso no Estado. Destes, 26.300 são adultos e 912 crianças.
Em Londrina, os números até 2010 apontam 1.839 casos de AIDS, mas os dados podem ser maiores quando o ano de 2011 fechar. O enfermeiro Luiz Toshio Ueda, responsável pelo ambulatório de DST/AIDS do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Londrina, explica que o número de casos é diferente da quantidade de infectados, que acabam sendo notificados somente quando há necessidade do uso do coquetel para tratamento da doença.
''É de extrema importância que as pessoas passem a adotar o sexo seguro. Hoje, muitos acreditam que a Aids não é mais uma doença que mata, pensam que existe um coquetel que salva e deixam de lado a consciência de que uma pessoa infectada pelo HIV ainda sofre um terrível preconceito, inclusive no meio familiar'', aponta.
Para Ueda, que está diariamente em contato com os portadores da doença, o estímulo sexual precoce, além do uso de drogas e álcool têm sido fatores predominantes nos casos que envolvem jovens infectados pelo HIV.
''Os jovens estão tendo relacionamentos sexuais cada mais cedo e de forma muito espontânea, sem preservação de valores ou outras questões que existiam antigamente. Também percebemos que a mistura sexo-álcool-drogas está cada vez mais evidente e, nesses casos, a pessoa jamais ou quase nunca usa preservativo'', analisa o enfermeiro.
Ueda ainda faz mais um alerta para aqueles que costumam praticar sexo sem proteção. Ele explica que existem vários tipos e subtipos do HIV espalhados pelo mundo e o Sul do Brasil é considerado a região que concentra um tipo de vírus mais agressor. Segundo ele, esse subtipo ataca a imunidade da pessoa com muito mais agressividade e rapidez do que em outras regiões do Brasil.

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