Já faz 11 anos que a advogada Lucilene Coutinho Ferri, de 49 anos, foi infectada pelo parasita toxoplasma, mas até hoje ela tem péssimas recordações deste período da sua vida. Ela conta que, para comemorar o seu 38º aniversário, decidiu fazer um churrasco e reunir a família. Na época, no prato de Lucilene não podia faltar carne mal passada, e ela acredita que tenha sido neste dia, e desta forma, que contraiu toxoplasmose.
Os sintomas da doença começaram poucos dias depois nas vias aéreas superiores. "Eu achei que estava tendo uma crise de rinite alérgica, mas em pouco tempo os sintomas pioraram muito". As fortes dores no corpo e de cabeça, enjoo e calafrios levaram a advogada ao médico infectologista. "Eu estava tão mal que não conseguia ficar sentada na sala do médico, tive que deitar. Ele disse que eu tinha dengue e que precisava ir para a casa e tomar muita água", comenta.
Depois de 15 dias, os gânglios linfáticos começaram a inchar, ela conta que além do mal estar, começou a sentir calombos na cabeça, no pescoço e voltou ao médico. "A prima do meu marido foi infectada no mesmo dia que eu, nós estávamos sendo tratadas pelo mesmo médico e, diante da evolução do nosso quadro, ele suspeitou de toxoplasmose e pediu que fizéssemos exames de sangue que confirmaram a suspeita", afirma.
Os exames mostraram que a doença estava muito avançada em Lucilene e que ela corria o risco de ter uma infecção generalizada. O primeiro antibiótico indicado pelo médico não controlou a doença e a infecção acabou piorando, chegando a afetar o fígado. "Passamos então para um tratamento mais agressivo com sulfa e medicamentos quimioterápicos que traziam muitos efeitos colaterais e me obrigavam a tomar ainda mais remédios", destaca. Ela descreve os 21 dias de tratamento como uma das fases mais sofridas de sua vida.
Depois de todo o tratamento e de ter recuperado a saúde, Lucilene conta que buscou informações sobre a doença. "Hoje só como carne bem passada e tomo cuidado redobrado na hora de lavar frutas, verduras e legumes. Além disso, passei a congelar a carne por pelo menos 48 horas antes de prepará-la, porque aprendi que esta é uma das formas de matar os parasitas", ensina. Atualmente, a advogada é uma disseminadora de esclarecimentos sobre a doença. "Foi uma luta. É uma doença terrível que pode ser prevenida, mas falta orientação para a população", salienta.(M.A.)

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