Estudos mostram que 80% dos adultos que tomaram vacina procuraram o imunizante por prescrição médica
Estudos mostram que 80% dos adultos que tomaram vacina procuraram o imunizante por prescrição médica | Foto: Shutterstock


Rio - Entidades da área da saúde estão unidas para enfrentar um desafio: fazer com que os adultos mantenham a caderneta de vacinação atualizada e participem das campanhas de imunização. Neste mês, houve a primeira reunião de um grupo permanente de discussão sobre vacinação para adultos e idosos, formado pela SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e representantes de entidades como as sociedades brasileiras de Pediatria, Geriatria e Gerontologia e a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). O objetivo é propor mudanças na conduta de profissionais de saúde, no comportamento desse público e até nos horários de oferta dos imunizantes.

A presidente da SBIm, Isabella Ballalai, falou sobre a cultura de só incentivar a vacinação de crianças.

A necessidade de vacinar crianças é consolidada no País, tanto que as pessoas acompanham o calendário do Programa Nacional de Imunizações. Por que isso não ocorre com os adultos?
Ninguém diz para ele tomar e ele não sabe a vacina que deve tomar. Estudos mostram que 80% dos adultos que tomaram vacina procuraram o imunizante por prescrição médica. Mas os médicos não estão falando de vacina, ainda não é uma rotina como é na pediatria. Outro ponto é a questão do acesso: na rede pública, o posto funciona no horário comercial e para no almoço. Que horas o adulto vai se vacinar?

Qual a situação vacinal dos adultos no Brasil?
Conhecemos bem a cobertura vacinal do menor de 1 ano, mas o Ministério da Saúde precisa lidar com a vacinação dos adultos como faz com a de crianças. Para o adulto, a gente só tem metas em campanhas, não há um programa de metas e de acompanhamento dessa cobertura vacinal. Sabemos quantas doses foram aplicadas, mas não em quem, e isso é importante para podemos correr atrás dessa pessoa.

É comum ouvir pessoas dizendo que perderam a carteira de vacinação. O que fazer?
Quem perde a caderneta fica sem as informações e precisa fazer todo o esquema vacinal de novo. A recomendação é sempre vacinar, porque não traz nenhum problema.

Quais vacinas devem ser tomadas pelos adultos?
O calendário nacional ainda não tem todas as vacinas que a gente gostaria, mas oferece as da hepatite B, a dT a cada dez anos, tríplice viral até 49 anos, influenza para quem faz parte do grupo de risco, febre amarela e, para as gestantes, hepatite B, influenza, dTpa. O calendário da SBIm inclui nesse rol a dTpa para todos e hepatite A. Para maiores de 60 anos, as pneumocócicas e herpes zóster. Também a do HPV, que não se restringe a crianças e adolescentes. Os Cries (Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais) oferecem essas vacinas para pessoas com diabete, que têm direito à vacina pneumocócica; e quem tem doenças hepáticas recebe a da hepatite A. Para cada grupo de risco, há vacinas que não estão no calendário.

Como a não imunização de adultos pode interferir nas doenças entre crianças?
Quase todos os óbitos em bebês de até 3 meses por coqueluche acontecem após eles pegarem a doença de um adulto não vacinado. A vacinação faz proteção coletiva. Como o sarampo pode voltar a ocorrer no Brasil? Por meio dos adultos não vacinados.

A campanha da febre amarela está em andamento e a cobertura continua baixa. Quais são os riscos dessa situação?
Ainda há 50% da população-alvo que não foi vacinada. As pessoas precisam pensar preventivamente. O adulto também tem a sua parcela de responsabilidade nisso.

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