Adeus à mamadeira e chupeta
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de outubro de 2015
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local
"É para eu não mamar mais na mamadeira porque senão (sic) o dente fica torto." A pequena Grazielly Alves da Silva, de 7 anos, aprendeu há pouco dias, uma lição que encheu a mãe Marluce Alves, de alegria.
Como um simples toque de mágica, Grazielly e a irmã Izabelly, de 4, largaram a mamadeira por vontade própria, sem choro e nem trauma para ninguém. "Estava esperando por algo muito mais difícil", desabafa a mãe.
Mas a verdade é que não houve truque e nem mágica nenhuma. As meninas foram atendidas na Bebê Clínica da Unopar, por meio do projeto do Departamento do Fonoaudiologia "Chupeta e Mamadeira" que visa conscientizar crianças sobre os riscos e problemas do uso de bicos artificiais.
Com encontros semanais gratuitos, essa iniciativa - que surgiu de um trabalho de conclusão de curso das alunas Carolina Ohashi e Lilian Débora Vicente - orienta pais em um primeiro momento e depois o trabalho educativo é direcionado para as crianças a partir de 5 anos.
Grazielly e Izabelly foram umas das primeiras a participarem e contam que o "leitinho com chocolate" que tomavam na mamadeira, pela manhã e noite, agora tem até outro gostinho quando tomado no copo.
Ao contrário da irmã mais velha, a caçula não rejeitou a chupeta nos primeiros meses de vida, mas ela também dispensou o acessório. "Logo nos primeiros encontros, elas chegaram em casa dizendo que não queriam mais e para mim foi um susto bom", conta a mãe, lembrando que Izabelly ficava o tempo todo com a chupeta na boca. "Achei que ela não ia dormir neste dia, mas fui surpreendida. Uma ótima surpresa", completa.
A fonoaudióloga docente da Unopar, Cristiane Gomes, explica que esse trabalho se baseia apenas em atividades educativas para retirada dos hábitos orais. "A gente não força a criança, orienta a mãe a não colocar nada com gosto ruim na mamadeira e chupeta porque geralmente os pais fazem isso. Tem até dentista que coloca aparelho com grade para a criança não conseguir usar, mas isso tudo é muito agressivo", analisa.
Cristiane reforça que é muito melhor a criança entender o que está acontecendo, assim ela mesma toma a atitude de abandonar. "A chupeta e mamadeira são questões culturais. A gente não precisa utilizá-las em nenhum momento da vida", diz.
Embora seja uma prática muito comum entre os pais, dar chupeta à criança não é indicada e não tem nenhuma boa função. Cristiane lembra que a funcionalidade que os pais "enxergam" é o fato de fazer a criança parar de chorar e ficar quieta.
"A criança que chora está comunicando alguma coisa. Essa história de choro de birra não existe. Se há choro é porque ela precisa de algo, seja um desconforto, fome, sono ou mesmo um forma de dizer que quer contato com a mãe", acrescenta.
Ela ainda afirma que nenhum bico artificial é igual ao peito da mãe. Então, mesmo que o mercado ofereça novos modelos, com alta tecnologia, o ideal é não usar. "A mama materna se amolda à boca do bebê, porque é maleável, elástica", completa.
Entre as atividades, a aluna Carolina conta que há contação de histórias, uso de um calendário com carinhas alegres, para que as crianças possam se policiar em relação aos dias que ficaram sem chupeta ou mamadeira.
"No espelho, mostramos as figuras com alterações na boca e pedimos para elas darem um sorriso e associarem a própria imagem com as fotos. Aproveitamos esse momento para explicar as consequências", diz a aluna Lilian.
SERVIÇO
O projeto acontece às quintas-feiras, das 14h às 15h, na Bebê Clínica da Unopar, campus Piza. Mais informações pelo fone: (43) 3371-7775