Ácido fólico pode evitar malformações de bebês
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de maio de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Uma medida simples e que poderia evitar malformações em bebês ainda é muito pouco utilizada no Brasil. Levantamento feito pelo médico londrinense Eduardo Borges da Fonseca, professor de obstetrícia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), apontou que só 13,8% das mulheres, de um total de 500 voluntárias em João Pessoa, tomaram suplemento de ácido fólico antes de engravidar.
O uso da vitamina na dosagem de 400 microgramas (mcg) diárias pelo menos um mês antes do início da gestação até o terceiro mês, pode reduzir em até 75% a ocorrência dos defeitos do fechamento do tubo neural, conforme comprovam estudos médicos internacionais. A vitamina, inclusive já é disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) em forma de gotas (40 gotas/dia= 400 mcg), ou na rede privada, comercializada em forma de comprimido.
O fechamento inadequado na parte superior do tubo neural (região do embrião que vai dar origem ao sistema nervoso central) provoca a anencefalia, que é a ausência da calota craniana e da pele que a recobre, provocando a morte do bebê. Se a má formação ocorrer na parte inferior do tubo, o resultado é a espinha bífida aberta, que pode provocar a paralisia de membros inferiores, incontinência urinária e intestinal e até diferentes graus de retardo mental e dificuldades de aprendizagem escolar. A lei que autoriza a interrupção terapêutica da gravidez de anencéfalos, contudo, não se aplica aos casos de espinha bífida. Nesta situação, o indivíduo terá sua vida permeada por inúmeros desafios, dentre eles a própria inclusão social.
Segundo Fonseca, que também é presidente da Comissão de Medicina Fetal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), hoje, no Brasil, uma em cada mil crianças nasce com algum desses problemas. Ele explica que depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a interrupção terapêutica da gravidez de anencéfalos, no ano passado, a sociedade médica percebeu a necessidade de se discutir ações preventivas para evitar a ocorrência de anencefalia durante a gestação. A partir disso, a Febrasgo lançou, em agosto de 2012, a 1.ª Normativa sobre a Suplementação Periconcepcional de Ácido Fólico na Prevenção de Defeitos de Fechamento do Tubo Neural (anencefalia e outros defeitos do tubo neural).
''É importante fazer uso da vitamina porque da sexta até a oitava semana de gestação, muitas mulheres ainda não sabem que estão grávidas. E, desta forma, pode-se evitar a malformação do tubo neural do feto'', disse o médico.
Eduardo ressalta que os representantes da Febrasgo têm rodado o País para informar sobre a importância do uso do ácido fólico. No início do mês, ele participou do encontro da Rede Mãe Paranaense, que reuniu agentes de saúde de todo o Estado em Curitiba. ''Esperamos que os médicos e a população entendam a importância dessa ação. A cada 100 mulheres que engravidam, só quatro fazem uso do ácido fólico no período periconcepcional, é um número muito baixo'', afirmou.
O uso da vitamina após a oitava semana de gravidez não faz mais efeito, conforme Eduardo Fonseca, porque o tubo neural já foi formado ou mal formado, então não tem volta após o período inicial da gestação.

