Considerada uma das maiores descobertas em medicamentos que salvam vidas, a insulina segue como alvo de pesquisas para que os diabéticos tenham cada vez mais uma melhor qualidade de vida.
No Brasil, são mais de 13,4 milhões de pessoas portadoras de diabetes e a previsão é que esse número atinja 19,6 milhões até 2030. Ou seja, um crescimento de 58% em apenas 20 anos, de acordo com a Diabetes Awareness Survey (DAS).
O fato é que por ser uma doença que tem relação direta com o estilo de vida de cada pessoa, a eficácia do tratamento depende da adesão aos medicamentos, adoção de hábitos saudáveis e, em alguns casos, a disciplina para monitoramento da glicemia (nível do açúcar no sangue) e aplicação de insulina.
Este último ponto é uma preocupação revelada pelo endocrinologista Freddy Eliaschewitz, diretor do Centro de Pesquisas Clínicas (CPClin) de São Paulo. "Hoje, dois terços dos pacientes com diabetes tipo 1 estão fora da meta do controle de glicemia, o que pode ser resultado de uma certa resistência ao uso da insulina", diz.
O professor titular de Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Antônio Roberto Chacra, acredita que do ponto de vista dos pacientes, o medo de ter uma hipoglicemia (nível baixo de açúcar no sangue que leva a uma série de sintomas, como confusão mental, fraqueza, visão embaçada, etc) e as restrições impostas pela terapia com insulina, como a disciplina de horários, são os maiores obstáculos.
"Já para os médicos, a hipoglicemia continua sendo a maior barreira, pois ao contrário dos comprimidos, a dose de insulina precisa ser constantemente ajustada por conta da variabilidade da glicemia. Quanto mais variável, maior o risco de se ter uma hipoglicemia e, consequentemente, piora do controle da glicemia", ressalta.
Diante desta realidade, os especialistas compartilham da ideia de que há uma luta permanente para conseguir insulinas com maior duração e menos variabilidade, sob o entendimento de que seria mais fácil ajustar a dose.
É justamente nessa questão que a Tresiba (degludeca), uma insulina basal de ação ultralonga com efeito plano e estável, vem sendo a nova aposta para os diabéticos. O medicamento da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, recém-lançado no mercado brasileiro, apesar de ter duração de 42 horas, precisa ser aplicado diariamente, porém dispensa um fator muito importante que é a disciplina de horário.
"É importante que haja uma rotina, mas a aplicação não fica vinculada ao relógio. A grande vantagem dessa insulina é a estabilidade, que prevê que a pessoa terá uma menor variabilidade da glicemia, justamente pelo efeito homogêneo ao longo de 24 horas", salienta Chacra.
Outra grande novidade apresentada pelo medicamento é a redução de 25% do risco de hipoglicemia noturna em diabéticos tipo 1 e em 43% nos diabéticos tipo 2, quando comparada a outros tratamentos disponíveis.
A nova insulina é indicada para o tipo 1 e tipo 2 da doença, mas somente para pacientes acima dos 18 anos. De acordo com a diretoria da farmacêutica, pesquisas para o público infantil estão em andamento. Ela já foi lançada em alguns países da Europa, Ásia e América.
A Tresiba tem a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é comercializada ao mesmo valor dos análogos de lenta duração. Ainda não se pode afirmar se haverá uma disponibilidade dessa insulina no Sistema Único de Saúde (SUS). (Repórter viajou a São Paulo a convite do laboratório Novo Nordisk)

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