A vida depois da amputação
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domingo, 07 de julho de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
As principais causas de amputações de membros são acidentes, doenças vasculares e tumores, mas quando se fala em membros superiores, os acidentes de trabalho são os grandes vilões, como explica o médico ortopedista Rodrigo Egger. ''Hoje percebemos que cerca de 90% das amputações que aparecem no pronto-socorro são de dedos de pessoas que trabalham com prensas e máquinas de corte'', afirma. As amputações de antebraços e braços são mais raras e geralmente estão relacionadas a situações que envolvem armas de fogo e explosões.
O médico lembra que algumas amputações precisam ser feitas por conta do aparecimento de tumores no membro e outras podem ocorrer em função de acidentes de trânsito, principalmente com motociclistas. Diante da necessidade de se fazer uma amputação, o médico afirma que tenta manter a maior parte possível do coto na pessoa para possibilitar que ele seja funcional.
Quem passa por uma amputação nem sempre perde em definitivo o membro, há casos em que é possível fazer o reimplante. O assunto ganhou os holofotes da mídia quando no início deste ano, um ciclista teve o braço arrancado em um acidente na Avenida Paulista, em São Paulo. Se o membro do rapaz não tivesse sido jogado em um rio pelo motorista do veículo, ele poderia ter sido reimplantado. O ciclista, que ganhou uma prótese, está aprendendo a utilizar o novo braço.
Reimplante
As cirurgias de reimplante de membros começaram a ser feitas no mundo na década de 60. Em Londrina, o procedimento foi realizado pela primeira vez em 1986. Até hoje, o chefe do serviço de Cirurgia da Mão e Microcirurgia do Hospital Evangélico de Londrina, Edson Kenji Takaki, realizou cerca de 500 cirurgias semelhantes. O médico explica que quando a amputação é feita por guilhotina são maiores as chances de realizar um reimplante. ''Quando ocorre esmagamento ou arrancamento do membro geralmente se perde nervos, artérias e músculos, isso dificulta e pode até inviabilizar o processo porque estes tecidos precisam ser retirados de outro lugar para serem repostos'', salienta. A cirurgia ocorre com a fixação do osso, ligação de artérias e veias e reconstrução de nervos, tendões e músculos.
Para que o reimplante seja realizado com sucesso, é preciso que o paciente esteja em um estado de saúde favorável. ''Precisamos sempre lembrar que o foco é salvar a vida daquela pessoa. O reimplante do membro só deve ser feito se ela estiver estabilizada'', comenta. A idade do paciente, as doenças que ele apresenta e a condição do membro amputado são questões analisadas pelo médico antes de optar pelo reimplante.
Takaki destaca que o procedimento pode ser feito em todos os membros, de dedos a braços ou pernas, e que quanto mais próxima do tronco for a amputação menos tempo a equipe tem para realizar a cirurgia. Diante da perda de dedos, em especial do polegar, o médico explica que o desafio é devolver ao paciente o movimento de pinça com qualquer outro dedo, que é o grande trunfo da mão humana. ''Às vezes para isso precisamos retirar um outro dedo ou até mesmo implantar um dedo do pé no lugar do polegar e devolver esta função'', explica. Apesar de não existir risco de rejeição, problemas circulatórios podem ocasionar a perda do membro, por isso é muito importante o acompanhamento com a equipe de médicos e fisioterapeutas nos meses seguintes à cirurgia.
Transplante
O transplante de membros também pode ser utilizado para permitir que um paciente amputado tenha novamente um braço ou perna. Mas além de ser difícil encontrar doadores com características físicas semelhantes, é preciso lutar contra a rejeição. Takaki explica que os medicamentos que evitam a rejeição de órgãos e membros trazem muitos efeitos colaterais. ''Estes remédios praticamente eliminam o sistema imunológico da pessoa que fica sujeita ao aparecimento de infecções, tumores e outras doenças'', salienta.
Para o médico, não vale a pena fazer um transplante deste tipo porque a qualidade de vida do paciente é muito reduzida em função de um órgão que não é vital. Ele acrescenta que a maior dificuldade da medicina neste aspecto está em combater a rejeição sem danificar o corpo.


