A silenciosa doença do coração
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domingo, 19 de junho de 2011
Fernanda Borges <br> <br> Reportagem Local 
São Paulo - Uma das doenças do coração que mais mata no Brasil e no mundo ainda é bastante desconhecida entre a população, inclusive entre os próprios infartados. A Síndrome Coronariana Aguda (SCA) afeta os vasos sanguíneos coronários que fornecem sangue ao coração matando 95 mil pessoas a cada ano. A informação foi apurada por meio de uma pesquisa do Instituto Datafolha que ouviu 610 pessoas que já infartaram de seis capitais brasileiras. O resultado do estudo foi divulgado na última semana em São Paulo durante encontro promovido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) com apoio da empresa biofarmacêutica AstraZeneca.
De acordo com a pesquisa, somente 2% dos abordados foram capazes de citar, espontaneamente, a SCA como uma doença conhecida. Também durante o estudo foi possível constatar que menos da metade dos entrevistados se considera capaz de reconhecer com propriedade os sintomas de um infarto.
O médico cardiologista Jorge Ilha, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explica que reconhecer os sintomas de um infarto é muito difícil pois, segundo ele, os mesmos podem ser os mais variados possíveis. ''As vezes até o médico tem dificuldade em acertar por isso o diagnóstico de infarto é dado por enzimas, dosadas no sangue'', diz.
A pesquisa do Datafolha foi realizada entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011 e teve como principal objetivo conhecer as percepções sobre saúde coronariana entre pessoas que já infartaram, na faixa etária mais exposta ao risco - a partir de 30 anos de idade.
No estudo foi possível constatar que a maioria dos infartados eram homens (66%), com idade média de 63 anos. Boa parte desse público faz compõe a população economicamente ativa e mais da metade dos entrevistados declarou que o infarto teve impacto nas suas vidas. Um dado que surpreendeu os médicos foi o fato de 80% das pessoas afirmarem ter mudado de hábitos após o episódio.
O presidente da SBC não concorda com a declaração dos entrevistados. Segundo ele, a grande maioria dos infartados muda de hábitos somente por um período e depois volta a se enquadrar aos grupos de risco para novos eventos cardíacos. ''Se esse paciente não remover as causas do infarto, ele vai ter outro. É muito pequena a parcela das pessoas que buscam essa mudança'', enfatiza.
Os principais fatores de risco para o infarto são o colesterol alto, hipertensão, tabagismo, diabetes, entre outros. Ilha reforça que indivíduos que tiveram infarto não podem fumar em hipótese alguma e precisam buscar a prática de atividade física com o apoio de um profissional. ''Muitos dizem que praticam atividade física mas na verdade simplesmente caminham da casa ao trabalho e isso é muito pouco. É preciso um ritmo de atividade física orientada de pelo menos 30 minutos por dia, no mínimo três vezes por semana. O ciclismo é muito bom, a natação e a própria caminhada. A medida que esse paciente vai removendo os fatores de risco ele vai ganhando uma sobrevida, caso contrário poderá infartar novamente'', finaliza.
Nova opção
Pacientes com Síndrome Coronariana Aguda (SCA) têm uma nova opção de tratamento. O Brilinta (ticagrelor) produzido pela AstraZeneca é um antiagregante plaquetário que apresenta uma redução na mortalidade cardiovascular. O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2010 e estará dispónível no mercado a partir de julho.
* A jornalista participou do evento a convite da AstraZeneca.

