A primeira batalha é contra si mesma
Medo. Esta foi a sensação descrita pela costureira Ionisse Aparecida Daniel Rosim, de 52 anos, quando descobriu um pequeno caroço acima do mamilo esquerdo há 14 anos. Após identificar o nódulo, ela conta que ignorou o problema. "Fiz de conta que não era comigo", relata. O problema é que o caroço começou a aumentar. Seis meses depois, ele estava do tamanho de um grão de feijão e a pele ao redor começou a afundar. "Não dava mais para eu me enganar, tive que buscar um médico", comenta a costureira.
Ionisse acrescenta que só acreditou que tinha câncer após o resultado da biópsia, e foi neste momento que ela derramou a primeira lágrima. "Sempre fui uma mulher muito forte, mas depois disso vieram muitas lágrimas. Eu achava que ia morrer e conforme as pessoas da família ficavam sabendo do meu diagnóstico elas enviavam presentes, mas isso me deixava ainda mais angustiada", lembra. A costureira não contou para o médico sobre o medo arrebatador que tinha de morrer, mas aos poucos as batalhas foram sendo superadas.
Ionisse teve que parar de trabalhar por vários meses para tratamento quimioterápico e a realização de cirurgia para retirada de parte da mama. "Eu fico incomodada em ver como a minha mama ficou. Para fazer a cirurgia, foi preciso tirar um músculo das costas e trazer para a frente, agora eu tenho duas cicatrizes", lamenta. Ela ainda não conseguiu colocar a prótese de silicone e confessa que isso abala a sua autoestima.
O apoio que teve da filha foi fundamental para superar os momentos mais difíceis. "A doença acabou unindo mais a gente, ela foi a minha força. Eu queria vê-la formada, ver meus netos, que ainda não tenho, e isso me fez continuar lutando", destaca. Neste ano, a filha de Ionisse vai fazer mamografia pela primeira vez. Apesar de ter apenas 28 anos, o exame é indicado, já que a mãe teve diagnóstico da doença com 38 anos.
Para a costureira o que ficou disso tudo foi um jeito diferente de ver a vida. "Hoje vejo a beleza de uma flor, procuro viver de forma mais leve, dou mais risadas, valorizo meu trabalho e sou mais aberta com as pessoas", elenca. (M.A.)




