'A parte mais difícil de controlar é a emocional"
A professora aposentada Conceição Aparecida Pereira Gonçalves, de 63 anos, já tinha hipertensão arterial, hipotireoidismo e vitiligo quando, aos 50 anos, começou a conviver com o diabetes tipo 2. "O meu médico falava que eu era uma forte candidata a desenvolver a doença e por conta do problema na tireoide sempre tive um pouco de excesso de peso, o que favorecia ainda mais", explica. Conceição já se cuidava com uma alimentação saudável e caminhadas diárias devido os outros problemas de saúde. Mas as medidas preventivas não foram suficientes para evitar o aparecimento do diabetes.
Aos 47 anos, ela lembra que estava com a glicose "batendo na trave", e o quadro de pré-diabetes se acentuou após a vivência de alguns meses de estresse provocado por problemas familiares. "A situação emocional sempre me afetou muito e nesta época a minha saúde ficou bastante abalada", comenta. Depois da fase difícil, Conceição, que já estava com diabetes e fazia o controle da doença com medicamentos, começou a fazer aulas de dança e se redescobriu. "Entrei numa nova vida. A dança me fez muito bem, além de me exercitar, conheci várias pessoas e tive um melhora muito grande em todos os aspectos da saúde", garante.
Apesar dos benefícios físicos e mentais trazidos pela dança, em 2010, após 10 anos do diagnóstico, a professora chegou a tomar o remédio do diabetes na dose máxima. Nesta época, ela precisou iniciar o tratamento com o uso de insulina. "Eu via aquilo como uma sentença de morte, achava que estava na reta final e custei a aceitar o tratamento porque tinha pavor da agulha", conta, mas tudo ficou mais fácil depois que ela descobriu uma caneta que facilita a aplicação do hormônio. "Não é agradável mas melhorou muito a minha vida. Neste ponto eu passei a entender que a insulina era uma coisa boa", destaca.
Depois de alguns anos, Conceição já estava adaptada à insulina e com a saúde equilibrada, mas a morte de um dos filhos novamente afetou sua saúde. Ela teve que ampliar a dose de insulina para duas vezes por dia.
Hoje, mais equilibrada emocionalmente, a professora aposentada comemora a fase de saúde em dia. "Tem uma palavra que deve resumir a vida do diabético: disciplina. O tratamento da doença depende de um conjunto de fatores que precisa de disciplina e a parte mais difícil de controlar é a emocional", aponta. As caminhadas diárias e a alimentação saudável continuam fazendo parte da rotina de Conceição, a meta agora é voltar às aulas de dança.
O momento tranquilo que está vivendo atualmente se reflete na saúde de Conceição. "Estou muito bem, mas o que mais me assusta nesta vida é o diabetes, por isso eu me cuido mesmo. Tomo cuidado para não machucar os pés e sou rigorosa com a alimentação, mas também não deixo de fazer nada por conta da doença. Levo uma vida normal", conclui. (M.A.)




