'A maior mudança na minha vida foi querer viver'
Nos últimos dias, a notícia de que o astro Charlie Sheen é soropositivo correu solta nas redes sociais, e chocou muita gente. Mas isso tudo se deve ao fato de que Sheen é uma figura bastante popular.
No Brasil e no mundo, há milhares de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (PVHA) que sofrem preconceito e precisam que a população em geral falem sobre a doença, esclareçam dúvidas e busquem informação. Esse é o caminho para que estigmas e preconceito não limitem a forma de viver das pessoas.
"Na minha família mesmo, poucas pessoas sabem que sou PVHA, pois a partir do momento que você se declara soropositivo, fecham-se as portas. As pessoas que vivem com aids são segregadas, principalmente pela falta de informação", conta Fabio (nome fictício), de 46 anos.
Ele contraiu o vírus com 20 anos, em uma única ocasião que compartilhou uma seringa para uso de cocaína injetável. "No grupo havia um homem que mais tarde descobrimos ser soropositivo", diz. Além de Fábio, outras duas pessoas foram contaminadas. "Isso acontece, mas 95% das pessoas que conheço, contraíram durante a relação sexual", acrescenta.
Hoje, Fabio toma três comprimidos pela manhã e mais três à noite. A cada 90 dias, ele realiza exames para controle do tratamento. Questionado sobre as transformações decorrentes da aids, ele é enfático. "A maior mudança na minha vida foi querer viver. É uma outra vida depois que você descobre a sorologia. Existem aqueles que se deprimem e outros que vão à luta. E o tratamento depende muito da gama pela vida, pois nosso estado emocional vai influenciar muito o nosso sistema imunológico", conclui. (M.O.)




