A luta contra o vírus da gripe
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domingo, 14 de abril de 2013
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
Mais de 600 milhões de pessoas são atingidas pela gripe todos os anos, isso representa entre 5% e 15% da população do mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Todos os anos são registrados entre três e cinco milhões de casos graves de gripe e entre 250 mil e 500 mil mortes por conta da doença. As estimativas da OMS apontam que de 5% a 10% dos adultos e de 20% a 30% das crianças tenham gripe durante um ano.
Nas regiões de clima temperado as epidemias ocorrem no outono e no inverno. O vírus é transmitido pelas gotículas de saliva expelidas durante espirros ou tosse das pessoas infectadas. Para piorar, o vírus passa por mutações, o que significa que há vários tipos de Influenza e quando você é contaminado e desenvolve imunidade para um deles, já há outros circulando.
Todos os anos há alguns tipos de vírus que prevalecem e é com base nas mutações mais frequentes que são produzidas as vacinas. Pedaços dos vírus que atingem mais pessoas no inverno do hemisfério norte são usados na produção de vacinas que são distribuídas no hemisfério sul.
No Brasil, entre os vírus da Influenza tipo A, o que mais predomina é o H1N1, ele é a consequência de uma combinação entre os segmentos genéticos dos vírus da gripe humana, aviária e suína. No ano de 2012 foram registradas 14 vezes mais internações por conta deste vírus do que em 2011. O Paraná teve 621 casos e foi considerado o segundo estado brasileiro mais afetado pela doença, ficando atrás apenas de Santa Catarina, que registrou 743 casos. Conforme o Ministério da Saúde, de todos os brasileiros internados com gripe no último ano, 65,5% tinham a gripe H1N1. O número de mortes no país chegou a 351, no Paraná foram 45 óbitos.
Campanha
Neste dia 15 de abril começa a campanha nacional de vacinação contra a gripe. Neste ano a vacina produzida pela Sanofi, protege contra os dois tipos de gripe A, tanto H1N1, quanto H3N2 e também contra o vírus Influenza B (a gripe comum). A vacinação precisa ser repetida todos os anos porque o anticorpo dura no máximo 14 meses no organismo.
Pesquisadores afirmam que o vírus H3N2, que predominou no Canadá, traz mais gravidade para a população idosa e que a possibilidade de aumentarem os casos de H1N1 é imprevisível. '"O H3N2 sofre mais mutações e provoca duas vezes mais hospitalizações do que o H1N1. Consideramos a gripe uma doença social. É importante que as pessoas se previnam para protegerem suas famílias", afirma a professora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Viroses Respiratórias da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Nancy Bellei.
À medida que aumenta a idade, cresce também a proporção de óbitos na população. O médico e professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, José Cássio de Moraes, destaca que a vacina é composta por pedaços do vírus e que ela não provoca a gripe. Para a diretora de Saúde Pública da Sanofi Pasteur, Lúcia Ferro Bricks, a vacina é ministrada numa época em que o vírus já está circulando. ''Algumas pessoas já podem estar infectadas na hora que recebem a imunização, além disso, a vacina demora 15 dias para fazer efeito'', salienta.
A imunização é contraindicada para crianças com menos de seis meses e para pessoas que são alérgicas à proteína do ovo. De acordo com Bricks, a vacina contra a gripe reduz em até 70% o risco de hospitalização por conta da doença. Pesquisas apontam que os doentes crônicos estão entre as maiores vítimas da gripe, por isso precisam ser protegidos.
Complicações
O médico pneumologista Guilherme Fazolo, explica que a principal preocupação relacionada a gripe é a pneumonia, mas não é a única. ''Há pacientes que apresentam problemas respiratórios e podem desenvolver bronquite crônica. A deficiência da imunidade pode abrir espaço para infecções mais graves e isso deve ser levado em conta'', alerta.
Conforme ele, não é a toa que o Ministério da Saúde investe na campanha de vacinação para proteger idosos e crianças. ''Os extremos da idade são o que mais preocupa'', destaca. O pneumologista recomenda todos os seus pacientes tomem a vacina contra a gripe, independentemente da faixa etária.
- A repórter viajou a convite da Sanofi Pasteur


