Uma operação de guerra contra um exército de inimigos invisíveis. Eles são microscópicos mas muito resistentes e podem causar vítimas. Parece brincadeira de criança, mas a infecção hospitalar é assunto sério e está relacionada diretamente à vida de quem precisa de cuidados hospitalares.
No ano passado, o Paraná apresentou uma taxa menor que a média nacional em relação às infecções primárias de corrente sanguínea associadas ao procedimento de cateter venoso central. Enquanto o Estado registrou uma média de 2,51 infecções para cada mil procedimentos/dia, a taxa nacional foi de 4,2. A Anvisa não divulga números nacionais referentes a outros tipos de indicadores de infecção, mas faz um alerta sobre as normas para evitar a proliferação de bactérias.
Os três maiores hospitais de Londrina - Evangélico, Santa Casa e Hospital Universitário - possuem comissões que norteiam as medidas de prevenção. Na cidade há ainda o Comitê Municipal de Controle de Infecção, que reúne profissionais de diversos estabelecimentos de saúde e tem como objetivo trocar experiências e orientar no combate a este tipo de problema.
As medidas para evitar as Infecções Relacionadas a Assistência à Saúde (Iras), são alvo de diversos estudos mundo afora que confirmam a eficácia destas ações na redução dos índices. O risco de infecção existe em todo serviço de saúde, não apenas nos hospitais. De acordo com a enfermeira supervisora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Evangélico de Londrina, Kátia Regina Gomes Bruno, a contaminação pode vir de diversos fatores.
''O próprio paciente possui microorganismos que podem se multiplicar e trazer problemas se as medidas de precaução não forem tomadas, mas fatores ambientais, procedimentos invasivos e equipamentos de uso comunitário como estetoscópio também favorecem a infecção do paciente pelos microorganismos que vivem no hospital'', explica.
A higienização das mãos por parte dos profissionais de saúde e também dos pacientes e visitantes é fundamental para combater os riscos de infecção, mas estas não são as únicas medidas importantes. ''A limpeza adequada do ambiente remove grande parte dos microorganismos que ficam nas superfícies e são transportados de um setor para outro através de equipamentos e mãos'', acrescenta a enfermeira.
Nesta luta contra os microorganismo, as visitas dos pacientes têm papel essencial. Conforme Kátia, alimentos perecíveis levados para o paciente devem ser consumidos imediatamente. ''A presença destes produtos nos quartos atrai insetos e formigas e eles podem transitar pelo hospital inteiro carregando os microorganismos patogênicos'', declara. Por conta disso, ela acrescenta que um hospital precisa ter um programa efetivo de dedetização de insetos.
A enfermeira lembra que este tipo de bactéria não tem asas, mas transita pelo hospital se não forem tomadas as medidas adequadas de prevenção. ''Lavar as mãos e limpar as superfícies já elimina o risco'', alerta Katia.
Conforme a médica do Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa e docente do setor de doenças transmissíveis do Hospital Universitário, Jaqueline Capobiango, quem vai visitar uma pessoa no hospital precisa seguir algumas orientações, como não estar gripado, com febre ou diarreia. Jaqueline destaca que a primeira coisa que o familiar do paciente deve fazer ao entrar e sair do quarto é lavar bem as mãos. ''Não se deve sentar na cama do paciente, porque fazendo isso a pessoa estará levando bactérias do hospital para dentro da sua casa.
A manipulação de sondas, soros, cateteres também não é indicada porque para isso é preciso estar com as mãos muito limpas'', ressalta a médica. Ela também orienta as pessoas a não levarem para o hospital bolsas, sacolas e capacetes, porque estes objetos são colocados no quarto e acabam transportando bactérias.
A lavagem adequada das mãos é responsável por 80% da prevenção de Iras. ''Se as mãos não estão sujas, o álcool em gel pode ser utilizado, mas ele não substitui a lavagem em todas as vezes'', explica. Para a médica, a higienização das mãos é uma maneira simples e muito eficaz de controlar o transporte de bactérias no hospital, ''mas as pessoas relaxam''.
Jaqueline destaca que o profissional de saúde precisa lavar as mãos antes e depois de tocar no paciente e antes e depois de tocar em móveis e objetos que estão no hospital. Conforme a médica, o paciente e a família podem ajudar a equipe médica cobrando a higienização das mãos. ''Não é chato. É função do paciente lembrar o profissional de saúde de lavar as mãos quando ele perceber que houve esquecimento. A proteção serve tanto para o paciente quanto para quem está cuidando dele'', salienta.
O controle das Iras depende de um tripé: lavagem das mãos, limpeza adequada do ambiente e uso criterioso de antibióticos. ''Todo antibiótico seleciona resistência. Sempre tem alguma bactéria que sobrevive ao tratamento, por isso o uso deste tipo de droga precisa seguir protocolos, do contrário estaremos favorecendo a formação de superbactérias'', conclui.
Nas pediatrias os brinquedos são vistos com alerta pois podem ser veículos de transmissão de bactérias. A médica explica que os brinquedos precisam ser laváveis e não devem ser compartilhados. Segundo ela, tudo que acumula poeira no quarto do hospital é um risco.

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