A hora certa de ir ao banheiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de março de 2011
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Todo pai sabe que por volta dos 4, 5 anos de idade é um período considerado normal para que seu filho deixe de urinar na cama. Também é próximo dessa faixa etária que os pequenos começam a procurar o banheiro sozinhos e anunciar o momento em que estão com vontade de evacuar. Entretanto, alguns transtornos emocionais como a encoprese e a enurese podem desequilibrar o ritmo natural desse aprendizado, fazendo com que a criança apresente problemas físicos e até psicológicos no futuro.
Estimativas da Sociedade Brasileira de Urologia apontam que cerca de 15% das crianças com até 5 anos ainda fazem xixi na cama. Estudos realizados mostram que os distúrbios defecatórios chegam a 3% nos consultórios pediátricos e 10 a 25% nos gastroenterológicos infantis.
De acordo com especialistas, a enurese é uma emissão não voluntária de urina durante o dia ou a noite e a encoprese acontece quando a criança evacua repetida e involuntariamente, geralmente em lugares que não são adequados para isso. A psicóloga Josani Campos da Silva explica que anatomicamente a criança é normal, mas passa a vivenciar um desequilíbrio do esfincter por conta de fatores mecânicos do funcionamento do órgão - ação essa geralmente ligada a questões psicológicas.
O xixi e o cocô são impregnados de muitos significados e as dificuldades relacionadas a eles podem ter origem anterior ou posterior ao período de retirada das fraldas. Os pedidos muito severos dos pais para que o filho anuncie a vontade de ir ao banheiro, sem o carinho que essa passagem merece, costumam deixar sequelas, diz.
Ainda segundo a psicóloga, a urina e as fezes fazem parte dos recursos de linguagem infantil e servem para dar sinais de que alguma coisa não vai bem com a criança. A relação da criança com o momento de evacuação é prazerosa. Precisamos deixar claro que não é somente uma questão comportamental. Essa troca ou treino terá repercussão na sua forma de relacionamento com as pessoas ao longo de toda a sua vida. É uma questão de organização do psiquismo, afirma Josani.
As fisioterapeutas Lisania Yukie Saisu e Alini Cardoso têm recebido vários casos na clínica onde realizam o tratamento uroginecológico e coloproctológico. Com o uso de massagens e de um aparelho chamado biofeedback, é possível condicionar a criança à reeducação do hábito urinário e intestinal. Também ensinamos certos exercícios que envolvem a postura da criança, comportamentos simples e fáceis de adotar na rotina mas que podem ajudá-la a perceber melhor sua musculatura e assim conseguir sentir melhor seu corpo na hora da evacuação, porque em alguns casos a criança chega a perder a noção de quando está urinando, por exemplo, diz.
Ainda segundo as profissionais, também é importante trabalhar com a criança a imagem corporal para que ela dê conta do funcionamento e integralidade de seu próprio corpo. Em poucas semanas, principalmente quando há uma intervenção psicológica junto, a melhora é bastante significativa, mas é importante que os pais estejam sempre integrados nesse trabalho, finaliza Alini.

